quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

VIOLÊNCIA:DESARMEM OS ESPÍRITOS

Rivaldo R. Ribeiro
"Um velho índio descreveu certa vez: Dentro de mim, existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro muito bom. Os dois estão sempre brigando. Quando perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, refletiu e respondeu: - aquele que alimento."
Devemos pensar mais como seres humanos e não apenas só no que nos divide, infelizmente muitos usam sua inteligência para isso: em arquitetar métodos para ferir o outro de todas as formas, e isto resulta em mais sofrimento, medo, desconfiança e divisões. Todos queremos a paz e a felicidade, todos trabalham com esse objetivo. Estamos num grande estado de avanço na ciência e tecnologia, e no entanto estamos nos tornando superficiais na convivência fraterna, no progresso interior e nos esquecendo da nossa saúde espiritual, estamos nos queixando da violência, no declínio da moralidade, porem qual a nossa colaboração para que isso se resolva, se estamos inclinados apenas ao exterior e na ostentação materialista e no patrocínio da desigualdade, desrespeitando até os direitos de sobrevivência de outras pessoas, são queixas injustificadas pois são queixas das conseqüências de nossas próprias ações desumanas.


A violência tornou-se num tumor social, células que estão se dividindo e multiplicando a cada dia e lançando profundas raízes , que foram criadas por atos que convergiram numa fonte insaciável de desamor.A pratica do amor não é coisa fácil porque ele é abstrato, e encontra uma forte resistência no orgulho, na mentira, na vaidade,na ganância, na avareza, e na falta de humildade. Ser amoroso não é ser subserviente como muitos pensam, pelo contrário é uma luta aguerrida contra os distúrbios que provocam a violência. Jesus Cristo nos mostrou isso quando enfrentou seus opositores na sua pregação , depois se permitiu ser flagelado e pregado na cruz para convencer e transmitir ao mundo a verdade deste amor, imaginem se fosse ao contrário...seria vencido e não mudaria o mundo.

Vê como é difícil a pratica do amor, tem-se que ter coragem, porque todos queixam da violência mas não querem o amor.

Vou contar-lhes uma pequena historia verídica: Num determinado dia apareceu um furúnculo numa das nádegas de um trabalhador rural, no seu trabalho tinha que andar a cavalo mas a dor era de tal maneira que se tornava impossível e muito doloroso, porem o patrão não entendeu pois ele próprio nada sentia e não se compadeceu, o rapaz continuou a andar a cavalo até certo ponto, e no fim da tarde se arriscou a ficar desempregado e pediu demissão, mas como Deus fecha uma porta e abre outra, hoje ele tem um trabalho melhor e um patrão que o respeita e lhe dá o verdadeiro valor. A paz é fruto da justiça, profeta Isaias. 32,17.

O primeiro patrão nada colaborou com objetivo da paz e não tem direito de reclamar, foi irracional, usou a lei do bruto, foi indigno de sua espécie e tirano, pois provocou raiva, sentimento de abandono a este empregado que poderia tornar-se violento com a injustiça, porem o segundo patrão restabeleceu o sua autoestima, a confiança, e colaborou para que mais uma célula deste corpo social ficasse sadia, tornando-se uma unidade essencial para agregação do homem.

Armamos nossos espíritos com intrigas, rasteiras, injustiças, desconfianças, covardias, insultos,intolerância,calúnias, o que vocês acham o que vai acontecer , a PAZ???

O conceito de Paz está na consciência de cada um e ações, contudo são sementes que plantadas podem nascer espinhos mortais ou flores, quando nascem espinhos são difíceis de extirpar e prejudicam a todos, no entanto as flores com sua delicadeza e perfume mesmo que caiam algumas, atrairão os mais felizes , anunciarão a primavera e produzirão frutos.

Somos como as plantas...

Somos como as plantas, não somos verdes, mas somos como as plantas.

Quando nascemos somos como as sementes das plantas, que depois de germinadas sempre procuram a luz.

Às vezes quando elas nascem num canto qualquer, debaixo de um tronco, algo que as impeçam de crescer, elas vão ficando fininhas, se esticando, esticando, dando voltas, serpenteando, até encontrar o caminho da luz...E a sua folhinha verde se abre para o sol, para a luz.

Somos como as plantas, as plantas são como nós, os animais e nós somos como todos, somos todos um.

Pertecemos ao mesmo organismo vivo, vivemos no mesmo seio quente da mãe Terra, somos natureza e pisamos nela, poluimos ela, tocamos fogo nela.



Mas nao devemos esquecer que a vida precisa da luz, ela procura a luz do sol e a luz espiritual....



















SONHOS UTÓPICOS...

Hoje cheguei a uma conclusão, achava-me deprimido, não!

Como poderia entender tantos sofrendo por causa de uma minoria....

Crianças morrem e choram de fome pelo mundo inteiro por causa de uma minoria....


E a maioria se cala, sabem por quê?

Porque todos querem entrar para o clube dessa minoria, sonhos utópicos que passam à vida tentando...

Se a realidade lhes mostrasse por inteiro, mudariam o mundo...


Rivaldo R.Ribeiro


Sonhos sempre foi a liberdade...

"Passo os dias "preso" trabalhando.

Tempo não tenho para fazer isso...


Com certeza, preferiria olhar o mundo de forma diferente. ..


Todos sonham durante a vida com a liberdade, a vida passa e a liberdade não vem..."

(Rivaldo R. Ribeiro).

Sonhos e esperança de um país melhor.

Muitas vezes eu olho para as ruas de meu país e sonho... Como seria melhor se fossemos mais conscientes em tudo!
Mas não, somos em muitos casos um povo submisso ao errado. Algumas vezes por medo, outras vezes por sonhar que em algum momento poderemos estar no lugar deles ganhando e locupletando-se sem ser punidos.

São atitudes que levam qualquer sociedade a loucura da violência, a falta de patriotismo e civismo. Resultando num povo sem características de nação, apenas um amontoado de gente travestida e imitadores dos que dominam.

Uma pena! Não é isso que sonhei e sonho para meu país...

Segundo os místicos estamos entrando na era da Luz, tomara que estejam certos, porque o poder da Luz é infinito e ela não permite que nada fique escondido...

Esperança? Ela já desponta em muitos quadrantes da nossa terra, não é ser apenas critico ou azedo como o nosso querido Presidente comentou, mas não é ser cego o que está diante dos nossos olhos e cotidiano.

Um exemplo claro, basta qualquer um de nós necessitarmos de um exame medico sofisticado ou até mesmo simples, a fila que nos aguarda em alguns casos pode ser de meses.

Será que as enfermidades podem esperar por tanto tempo? Muitas vezes corre-se o risco dos exames serem autorizados para os túmulos, pois a medicina não é capaz de diagnosticar a urgência de um tratamento sem ter em mãos os exames necessários para isso.

Enquanto isso prédios públicos são construídos com verbas gigantescas, que muitas vezes não tem utilidade social alguma. Maquiam as cidades encobrindo seus males.

Ergam os tapetes e tapam os narizes... Ou não permitam que escondam as sujeiras, conscientizando que somos todos um, onde alguém perde todos perdem. E Essa sociedade nunca será justa para ninguém...

Rivaldo R.Ribeiro

Comentário de Mario Augusto de Moraes Machado (Morani)-Nova Friburgo-RJ sobre o meu conto “O menino deficiente” que publiquei nesse blog no dia 26/05/2010

Grande vida, sem que tivesse a noção exata da "prova" a qual se sujeitava. Criança ainda e já se formava em seu espírito vivaz os questionamentos à sua própria condição de Vida. Ansiava descobrir o futuro abrindo-lhe às portas todos os seus receios, todas as suas esperanças e todos os seus sonhos. Há muitas outras crianças assim. Eu fui uma delas, também.


"O que pode haver além do horizonte?" Só o Futuro descortinaria aos anseios do Menino Deficiente o que seria a sua existência além dos mistérios, além de seus medos e de suas aspirações. Ele se escondeu ao máximo para não se ver conspurcado em seus sonhos e em seus planos, que os tinha, mas mal formados pelas dúvidas que carregava consigo como pesado fardo cheio de pavores. Sem entender as razões de suas limitações não lobrigou que força maior se agigantava em seu íntimo. Era preciso dar tempo ao tempo. Transformou-se em um desbravador de "sucatas" por acreditar, talvez, que o seu pequeno mundo jamais sairia das fronteiras em que vivia. Os velhos livros lhe abriram a visão maior - os frutos das sucatas.

Encontrou, ele, na singularidade da situação, os primeiros degraus de sua subida. A força de vontade indômita adveio de um jogo de bola em que levou uma pancada e deixou o campo de jogo. Voltou. Demonstrava, já, toda a sua "teimosia" em não aceitar ser menos que os demais. Diga-o sua irrepreensível vontade de montar a uma bicicleta e sair pedalando com uma só perna - a "boa", à esquerda.

E o que não conseguiria esse Menino Deficiente? Buscar refúgio debaixo de camas, entre teias de aranha, não o assustava. Assustava-o mais os olhos perquiridores das gentes sem sentimentos e sem respeito por sua deficiência. A orfandade o atingiu cedo ainda. Mas havia outro Pai, alerta e cuidadoso, guardando para ele as mais brilhantes situações.

Emocionante é a passagem à praça da cidade e o carrinho de pipocas. Humilhante? Não para ele que via tudo de modo avesso aos dos outros garotos. Continuou a sofrer na escola, mas foi lá que se quebrou uma parte do "gelo" a que se via mergulhado. Ou enfrentava o mundo ou o mundo faria isso o separando de entre os demais. Teria escolha o Menino Deficiente? Não! A Vida o havia escolhido.

Desafios não são para serem testados, mas enfrentados. No íntimo ele sabia e o provou, anos mais tarde. A Natureza não dá saltos, mas caminha lentamente, porém direito ao seu Destino. Uma sua testemunha jamais poderá falar ao seu favor: um passarinho que ele encontrou certa vez sem possibilidade de alar-se em vôos libertadores. Colocou-o às mãos protetoras e em uma prece ao Pai Superior, que já o Tinha à conta de um cavaleiro de capa e espada, atendeu seu pedido. O passarinho alçou vôo direto de sua mão. Que de encantamento! Vaticínios? Sem dúvida foram.

Topou caminhos de pedras e de flores. A qual enveredar? Não seria sua a escolha. Sua escolha já se achava pronta e justa a se encaixar a ele. Ele entendeu que os de pedra foram os primeiros a lhe burilar a Alma como se burila uma pedra preciosa para lhe tirar mais brilho, como os diamantes.

O Menino Deficiente não anda pelo Mundo. Ele anda pelos caminhos ásperos ao mesmo tempo em que suaves de José Bonifácio, SP. Não tem mais sua bicicleta, mas tem um seu veículo automotivo - Fusca - que o atende muito bem nas andanças que empreende pelo município.

Vê-lo por lá, em momentos que seriam de folga, não é difícil. Se você não pode estar lá, imagine-se lá ao seu lado em visitas a lugares ermos a fim de evitar desastres de graves proporções para José Bonifácio e sua população ordeira. É chefe de família; é pai, dos mais dedicado, e mais dedicado filho da Mãe Natureza que o Pai Maior o fixou ali para a proteção de Suas Criações. Eis como vejo atualmente o Menino Deficiente, que deixou de ser.



http://blogdomorani.blogspot.com/

domingo, 21 de novembro de 2010

Decálogo para uma espiritualidade de não violência -Paróquia do Imaculado Coração de Maria- Missionário Claretianos - Santos-SP

01- Aprender a reconhecer e respeitar "o sagrado" em cada pessoa, incluindo a nós mesmos, e em cada parte da Criação. Os atos da pessoa não-violenta ajudam a liberar o Divino no oponente, desde a obscuridade ou cativeiro.

02 -Aceitar-se a si mesmo profundamente, "quem sou" com todos meus dons e riquezas, com todas as minhas limitações, meus erros, falhas ou debilidades, e dar-me conta de que sou aceito por Deus. Viver na verdade de nós mesmos, sem excessivo orgulho, com menos delírio de grandeza e falsas expectativas.

03- Reconhecer que aquilo pelo qual sinto ressentimento, e talvez até deteste, no outro, vem de minha dificuldade de admitir que esta mesma realidade vive também em mim. Reconhecer e começar a renunciar a minha própria violência, a qual se faz evidente quando eu reexamino minhas palavras, gestos, reações.

04- Renunciar ao dualismo, à idéia do "nós/eles" (maniqueísmo). Isto nos divide em "gente boa/gente má" e nos permite satanizar o adversário. É a raiz de uma conduta autoritária e exclusiva. Gera racismo e possibilita os conflitos e as guerras.

05- Enfrentar o medo e abordá-lo com amor, não com valores.

06-Compreender e aceitar que a "Nova Criação", a construção da "Amada Comunidade", é também levada adiante conosco. Nunca é um "ato solitário". Isto requer paciência e capacidade pessoal.

07- Ver-nos a nós mesmos como parte de toda a criação com a qual promovemos uma relação de amor, não de domínio, recordando que a destruição de nosso planeta é um problema profundamente espiritual, não simplesmente científico ou tecnológico. Nós somos um só.

08- Estar dispostos a sofrer, talvez até com alegria, se cremos que ajudaremos a liberar o Divino em nós. Isto inclui a aceitação de nosso lugar e momento na história com seus traumas, com suas ambigüidades.

09-Ser capaz de celebrar, de gozar, quando a presença de Deus for aceita; e quando não for, ajudar a descobrir e reconhecer este fato.

10- Ser paciente, plantar sementes de amor e de perdão em nossos corações e a nosso redor. E como resultado, pouco a pouco cresceremos no amor, na compaixão e na capacidade de perdoar.

http://www.coracaodemaria.org.br/

VIOLÊNCIA: AS VERDADEIRAS ORIGENS.A MORTE DE JOÃO HELIO, DUAS TRAGÉDIAS.

Todas as vezes que acontece um crime bárbaro, a opinião publica “cai de pau” pedindo aumento da punição para os criminosos, sem procurar as causas, pois sem elas nada se resolve. A Televisão faz reportagens, entrevistam as pessoas nas ruas, todos querem entender como seres humanos são capazes de praticar uma crueldade como aquela que fizeram com o Menino João Helio de apenas 06 anos. A violência no Brasil já está estruturada, ela acontece todos os dias, desde pequenos crimes a barbaridade como essa do dia 07.02.07, banalizou-se. Quem está tranqüilo nos dias atuais?

Questionam as diferenças sociais, falta de educação, desestrutura familiar, procuram as razões apenas na sociedade periférica.

Alem da qualidade da educação pública que tem ainda longo caminho a ser percorrido, quem tiver tempo para jogar fora, ligue a TV, a maioria dos programas de audiência são ridículos, de pouca formação e informação, pregam de tudo, a uma liberdade juvenil materialista longe da realidade brasileira, a comportamentos imorais como se fossemos animais ou simples zumbis programados apenas para o sexo e a superficialidade do corpo, muitas vezes estimulando às desagregações familiares. E porque esses programas têm grande audiência? Seria o reflexo da nossa sociedade?

"Qualquer tendência a realizar programas e produtos - inclusive desenhos animados e videojogos - que, em nome do entretenimento, exalta a violência e apresenta comportamentos anti-sociais ou a banalização da sexualidade humana constitui uma perversão, e é ainda mais repugnante quando tais programas são destinados às crianças e aos adolescentes. Como é que se poderia explicar este “entretenimento” aos numerosos jovens inocentes que realmente são vítimas da violência, da exploração e do abuso? Esse trecho inserido é Fonte: Rádio Vaticana, 24 de Janeiro de 2007, festa de São Francisco de Sales. Bento XVI".

E quando acontece um crime cruel, bárbaro, insano, a televisão atira para todos os lados procurando culpados, esquecendo de olhar para seus próprios umbigos.

Esse não pode ser apenas a origem de todos os problemas que causa a violência, mas é um dos problemas, isso ninguém pode negar...

Eu fico imaginando o inimaginável sobre a família do menino João, seus pais, sua irmãzinha de 13 anos, uma dor que ninguém imagina sequer como é. Um menino de 06 anos, 06 anos de sonhos, de metas cumpridas, meu Deus como ficará essa família?

E os suspeitos deste crime horrendo, que são também ainda meninos de 16, 18 e 19 anos?

Não sei quantos vão ler esse texto, mas vamos sair nessa dura realidade brasileira, e procurar detectar a sua verdadeira origem sem cortinas de fumaça. Vamos procurar desmontar esse ódio fabricado, criando uma cultura de paz, moralidade e Fé.

Texto publicado em 10/02/2007 no meu blog http://sintonia777.zip.net

terça-feira, 26 de outubro de 2010

INTELIGÊNCIA.

(Rivaldo R. Ribeiro)

"Reconheça, aceite e ofereça seus limites, mas também suas qualidades. E você possui muitas. Não é verdadeira humildade julgar-se humanamente mais desprovido que os outros". Michel Quoist.

"É Ele quem faz mudar os tempos e as circunstancias; é Ele quem depõe os reis e os enaltece; é Ele quem dá sabedoria aos sábios e talento aos inteligentes". (Daniel 2,21)

A teoria de que existem pessoas mais inteligentes entre umas e outras não é verdadeira, a inteligência está muito acima da nossa compreensão e é difícil de ser explicada porque é dada por Deus. Quando julgamos que uma pessoa é superior por causa da sua inteligência não estamos considerando que existe um diferencial na sua formação, na sua vida, condições familiares, econômicas, condições de saúde, portanto e um julgamento equivocado, pois nascemos todos iguais: nus e chorando, e assim continuamos por toda vida se não olharmos com convicção para o nosso interior, nossa fé espiritual e a sabedoria de cada um, seus talentos.

Poderemos ser profissionais altamente qualificados, mas isso não quer dizer que somos mais inteligentes, e sim que fomos bem programados para aquela determinada profissão. Por exemplo, se atribuirmos uma tarefa diferente da formação deste profissional, mesmo que ela seja simples na concepção de outros profissionais de outras áreas é provável que este profissional não consiga efetuar esta tarefa.

Somos providos de dons objetivos e subjetivos, o objetivo tem que dar uma olhada no subjetivo para que haja equilíbrio, para que a objetividade não transforma estas pessoas em insensíveis zumbis, desprovidos da nossa energia principal: a sabedoria. O subjetivo aparece mais entre os artistas, poetas, escritores de ficção, religiosos (vejamos as pessoas com graves problemas mentais internadas em hospícios, classificadas sem inteligência alguma, muitas delas é capaz de pintar quadros de alto valor artístico). O objetivo aparece mais entre os que são mais propícios a cálculos, a ciência, pesquisas, a lógica etc.

Entretanto não devemos esquecer de outro tipo de inteligência: a inteligência espiritual, que aumenta os horizontes das pessoas, as torna mais criativas, e manifestam a necessidade de encontrar um sentido para a vida. Hoje vivemos em uma cultura espiritualmente incapaz, perdendo o propósito na vida, perdendo razões para desenvolver valores éticos, uma cultura materialista longe da espiritualidade, longe de Deus.

Assim uma pessoa que possui a inteligência espiritual, tem a sabedoria da vida, está sempre inspirada pelo desejo de servir. É responsável por uma visão de valores mais altos, são pessoas que estão preocupadas com o meio ambiente, a comunidade, com a religião, com o pensamento em Deus e no Seu amor, sabem lidar melhor com as emoções e tem uma visão bem ampla do mundo. Quando a gente tem fé, agente vê o invisível e consegue o impossível, porque sem a supremacia do espírito o homem cega a sua inteligência, e transforma a sua liberdade em libertinagem, embrutece a sensibilidade, já não é mais homem é um animal perigoso, vejam o mundo.

Portanto o sentimento de superioridade pertence aos insensatos e estúpidos, porque quem acha que sabe tudo, não sabe nada, esqueceu-se do por que e da busca.

Adolfo Hitler acreditava que iria dominar o mundo, não dominou. Cristo refez o homem com sua humildade e espiritualidade, São Francisco de Assis no inicio era considerado louco, e hoje todos nós o amamos pela sua extraordinária lição da perfeita alegria através da Fé, qualquer pessoa é muito inteligente com os dons e talentos que Deus lhe deu que são atribuídos a todos sem distinção, nem mais, nem menos (Mateus 25,14), pode ser que você esta fora de seu contexto profissional, isto não quer dizer que você é pouco inteligente, não se deixe dominar pelas mentiras das inteligências artificiais, procure desenvolver a sua inteligência espiritual, ela vai te ajudar a olhar para dentro de si mesmo e a ver o mundo de forma diferente, mostrar um caminho sólido baseado na verdade, perseverando sempre em busca dos seus sonhos, não deixe que sua vida seja semelhante ao um lago sujo de algas e poluição, onde a luz do Sol não possa entrar...

Hoje acordei... E comecei...

Rivaldo R Ribeiro

Hoje acordei um pouco cansado, a vida e seus problemas às vezes nos derrotam, olhamos pela janela, a rua, as pessoas iam ou vinham de algum lugar, da Igreja, da Feira, da casa da mãe ou da sogra, dos filhos casados e lá também às vezes existem problemas que hoje parece que são maiores, todos querem ocupar o mesmo espaço, o esposo não consegue ocupar seu espaço de marido, a esposa o seu lugar de mãe, os filhos os seus lugares de filhos, enfim parece que estamos vivendo um momento de transição na família que espero seja para melhor e que não percamos o "ninho".

Ligo a televisão, besteiras, fazendo justiça já existem alguns canais que nos leva a refletir a pensar, não apenas a sentar diante da poltrona e ficar hipnotizado, na política, bem... Eles brigam por um cargo a qualquer custo, rasteiras de todos os lados, será que patriotismo? Ou será atrás de vantagens? Será vaidade? Será amor nas pessoas? Sei lá o que pensar deste mundo...

FALTA DE ÉTICA ... (ALICERCES DE AREIA)

(Rivaldo R.Ribeiro - Bonifácio-SP)


"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo" (Fernando Pessoa)


A sociedade precisa ver o prejuízo com a exclusão social das pessoas que, por falta de oportunidades elegem alternativas prioritárias para sua sobrevivência afastando assim seus sonhos de ascensão na profissão e socialmente que, no entanto, poderiam ajudar no desenvolvimento do país.


Assim, os homens de bem não devem admitir de forma alguma, a corrupção e a falta de ética, vírus que usurpam as oportunidades e necessidades básicas de outras pessoas; devem sair de sua inércia e conivência para mudar isso, ou serão cúmplices dessas ações. Devemos lembrar do patriotismo que deve começar na menor de nossas atitudes e no mais distante rincão do nosso país.


As autoridades devem encarar suas funções com transparência, com idealismo; promover o cumprimento das leis, pois com seu desrespeito estarão desrespeitando a ordem das coisas e a DEMOCRACIA, e rejeitar qualquer tipo de favoritismos ou influencias externas, colaborando assim para o desenvolvimento da ética na sociedade, banindo a corrupção.


A luta pelo status, o desejo de participar do poder social, pode mistificar as pessoas e abrir um caminho perigoso e irreversível da corrupção. Portanto, será uma grande mentira se acreditarmos na falta de ética como trampolim, pois no futuro não poderemos andar de cabeça erguida, porque nas tristes sombras da covardia não fomos capazes de repudiá-la, e nada justifica abdicação da ética, porque vivemos numa sociedade e todos somos elos de ligação, tanto que mora em palácios ou nas favelas.


As festas e atitudes resultantes da falta ética, corrupção, conchavos, propinas, é comemorar o que? É comemorar os desconcertos do mundo. É comemorar o grito de uma criança como fome. É comemorar a miséria. É comemorar a dor sem remédio. É comemorar a falta de atendimento nos hospitais com pessoas amontoadas nos corredores. Mortes por falta de UTIs. É comemorar a falta de moradia. É comemorar a falta de educação. É comemorar os baixos salários dos que realmente constroem o nosso país. É comemorar a falta de ar dos que não conseguem respirar porque essa sujeira os impede de vir à tona.


É PATROCINAR A VIOLÊNCIA.


A minha indignação é que tudo isso não é fruto de uma catástrofe imprevista, mas de muitos anos de inconsciência, incoerência e falta de patriotismo. Os flagelos da miséria junto com a grande diferença social não se justificam senão por causa da corrupção e da falta ética secular, uma longa viagem desde quando fomos descobertos e tínhamos ouro e pedras preciosas que levaram embora e deram aos ingleses.


Os corruptos não imaginam a linha tênue que separa a obscura condição dos privilégios presentes e do futuro enigmáticos dos seus próprios filhos, que serão frutos de um mundo injusto, com problemas ainda maiores do que enfrentamos hoje. Serão capazes de solucioná-los? Ou será que seu egoísmo os cega, impedindo de amar os seus filhos e se preocupar com seus futuros?
 "A falta de ética e a corrupção diante de uma nação é como se um membro de uma família roubasse na surdina: a comida da despensa, os cobertores do frio, o telhado da casa, as portas e ainda os muros, deixando a família com fome, frio e sem segurança."


ÉTICA é parte da filosofia que trata do bem e do mal, normas morais, dos julgamentos de valores, realizando uma reflexão sobre essas questões. A ética discute também o objetivo da existência humana e os meios de entender os modos de existir, considerando o bem é o mal.


Aqueles que professam a fé cristã, porém desrespeitando a ética, estão violando o maior preceito de Deus, que é o bem.




A minha torcida como todo e qualquer cidadão brasileiro, é que os novos deputados, novos governadores, novos políticos, evitem a falta de ética e corrupção, amem o Brasil, namorem o Brasil, e se casem por amor com a nossa Pátria.

domingo, 29 de agosto de 2010

DONA DEOLINDA: UMA MEMÓRIA COM CARINHO. (Rivaldo R.Ribeiro)

28/01/2007
Falar sobre Dona Deolinda M. Cândida exigiria um grande conhecimento literário que não possuo. Contudo o tempo vai passando e nós os sentimentais, cultivamos a nostalgia. Foi por isso que me lembrei de Dona Deolinda, personagem importante presente na minha tão distante infância. Uma lembrança doce e especial que, ainda hoje, minha memória reflete sua voz compassada, conciliadora e compreensiva. É uma lembrança de ternura que soa como melodia suave, com seu carinho envolvente e sincero afeto.

Casada com o Sr. João V. dos Santos teve 21 filhos. Ela chegou a Ubarana em 1.902 e, em 19l3 seu pai e seu irmão fizeram a doação do patrimônio para a vila, onde se casou com João no dia 12 de outubro de 1916. É, portanto uma entre os fundadores daquela cidade.

Procuro na memória, consulto parentes, pois foi em fevereiro de 1957, quando eu ainda tinha um ano e alguns meses, que tudo aconteceu. Meus pais lutavam duro no seu pedaço de chão, nos arredores de Ubarana. Com seu esforço sobre-humano desmatavam os campos manualmente para o plantio da roça, mas sempre encontraram nos Virginios, seus vizinhos e amigos, o companheirismo, característica do camponês daqueles tempos.

Viu-se, então, um surto de pólio, levando algumas crianças à morte e deixando outras com seqüelas irreversíveis. Uma situação que atestou a sabedoria e o carinho maternal de Dona. Deolinda. Foi quando meus pais faziam uma visita a seus vizinhos nos fins de tarde, atitude corriqueira naqueles tempos. Dona Deolinda constatou no meu desfalecimento repentino os sintomas da terrível doença, e alertou com veemência meus pais para que procurassem orientação médica.

Com a suspeita confirmada os sonhos de meu pai desmoronavam ali. Homem simples via a realidade diante dos olhos, a possibilidade de perda de seu primeiro filho homem. Uma tragédia para um camponês que via no filho a extensão de seu espírito caboclo, que tinha no campo seu único meio de sobrevivência.

O diagnóstico antecipado da doença além de salvar-me a vida, tornou-se possível à redução das seqüelas da doença.

Hoje a imagino sorrindo quando me via, criança solta pelos campos, a cavalo, livre, feliz, realimentando as esperanças e os sonhos de meu pai, que me chamava de forma carinhosa de "coronelzinho", apelido sugestivo conforme seus ideais.

Os tempos passaram e o capricho do destino fez que um de seus filhos: o Dito do Posto de Saúde confirma o que Divino Mestre nos ensina sobre os bons frutos, pois ele participa da magia da imunização de tantas outras doenças, entre elas, a pólio.(Infelizmente o Dito também já falecido, quanto escrevi essa crônica ele ainda estava entre nós)  

Dona Deolinda e seu João ambos já falecidos ficaram na minha memória como personagens importantes na aventura da minha existência...

INTELIGÊNCIA.

(Rivaldo R. Ribeiro) -28/01/2007
"Reconheça, aceite e ofereça seus limites, mas também suas qualidades. E você possui muitas. Não é verdadeira humildade julgar-se humanamente mais desprovido que os outros". Michel Quoist.


"É Ele quem faz mudar os tempos e as circunstancias; é Ele quem depõe os reis e os enaltece; é Ele quem dá sabedoria aos sábios e talento aos inteligentes". (Daniel 2,21)

A teoria de que existem pessoas mais inteligentes entre umas e outras não é verdadeira, a inteligência está muito acima da nossa compreensão e é difícil de ser explicada porque é dada por Deus. Quando julgamos que uma pessoa é superior por causa da sua inteligência não estamos considerando que existe um diferencial na sua formação, na sua vida, condições familiares, econômicas, condições de saúde, portanto e um julgamento equivocado, pois nascemos todos iguais: nus e chorando, e assim continuamos por toda vida se não olharmos com convicção para o nosso interior, nossa fé espiritual e a sabedoria de cada um, seus talentos.

Poderemos ser profissionais altamente qualificados, mas isso não quer dizer que somos mais inteligentes, e sim que fomos bem programados para aquela determinada profissão. Por exemplo, se atribuirmos uma tarefa diferente da formação deste profissional, mesmo que ela seja simples na concepção de outros profissionais de outras áreas é provável que este profissional não consiga efetuar esta tarefa.

Somos providos de dons objetivos e subjetivos, o objetivo tem que dar uma olhada no subjetivo para que haja equilíbrio, para que a objetividade não transforma estas pessoas em insensíveis zumbis, desprovidos da nossa energia principal: a sabedoria. O subjetivo aparece mais entre os artistas, poetas, escritores de ficção, religiosos (vejamos as pessoas com graves problemas mentais internadas em hospícios, classificadas sem inteligência alguma, muitas delas é capaz de pintar quadros de alto valor artístico). O objetivo aparece mais entre os que são mais propícios a cálculos, a ciência, pesquisas, a lógica etc.

Entretanto não devemos esquecer de outro tipo de inteligência: a inteligência espiritual, que aumenta os horizontes das pessoas, as torna mais criativas, e manifestam a necessidade de encontrar um sentido para a vida. Hoje vivemos em uma cultura espiritualmente incapaz, perdendo o propósito na vida, perdendo razões para desenvolver valores éticos, uma cultura materialista longe da espiritualidade, longe de Deus.

Assim uma pessoa que possui a inteligência espiritual, tem a sabedoria da vida, está sempre inspirada pelo desejo de servir. É responsável por uma visão de valores mais altos, são pessoas que estão preocupadas com o meio ambiente, a comunidade, com a religião, com o pensamento em Deus e no Seu amor, sabem lidar melhor com as emoções e tem uma visão bem ampla do mundo. Quando a gente tem fé, agente vê o invisível e consegue o impossível, porque sem a supremacia do espírito o homem cega a sua inteligência, e transforma a sua liberdade em libertinagem, embrutece a sensibilidade, já não é mais homem é um animal perigoso, vejam o mundo.

Portanto o sentimento de superioridade pertence aos insensatos e estúpidos, porque quem acha que sabe tudo, não sabe nada, esqueceu-se do por quê e da busca.


Adolfo Hitler acreditava que iria dominar o mundo, não dominou. Cristo refez o homem com sua humildade e espiritualidade, São Francisco de Assis no inicio era considerado louco, e hoje todos nós o amamos pela sua extraordinária lição da perfeita alegria através da Fé, qualquer pessoa é muito inteligente com os dons e talentos que Deus lhe deu que são atribuídos a todos sem distinção, nem mais, nem menos (Mateus 25,14), pode ser que você esta fora de seu contexto profissional, isto não quer dizer que você é pouco inteligente, não se deixe dominar pelas mentiras das inteligências artificiais, procure desenvolver a sua inteligência espiritual, ela vai te ajudar a olhar para dentro de si mesmo e a ver o mundo de forma diferente, mostrar um caminho sólido baseado na verdade, perseverando sempre em busca dos seus sonhos, não deixe que sua vida seja semelhante ao um lago sujo de algas e poluição, onde a luz do Sol não possa entrar...

ESCATOLÓGICO -Rivaldo R.Ribeiro

Uma angustia súbita apertou-me o peito, abri a janela, o sol avermelhado parecia envolvido por uma poeira cósmica. Os ventos não tinham direção, as birutas indecisas rodopiavam para todos os lados, ora estava a sudeste, ora a nordeste, ora girando no próprio eixo como seu vento vinha de cima e ou de baixo com a força vertical.


Os pássaros que voavam no céu eram apenas pontinhos negros, porque ao longe não se podiam distinguir as cores, junto iam as galinhas com seu vôo pesado, até o João de Barro abandonou a sua casinha... Todos voavam numa mesma direção em formação harmoniosa, assim  foram desaparecendo no horizonte...


Os cachorros sempre alertas a tudo murchavam as orelhas uivando com as caudas entre as pernas, e com olhar de despedida iam junto com outros animais que em manadas corriam todos na mesma direção dos pássaros, aos poucos a natureza silenciava.


Apenas os peixes continuavam nadando rio acima, ou rio abaixo, nos mares ou oceanos, porque também eram como os racionais, "o grande" comia os pequenos, e por causa dessa peleja não percebiam que os rios estavam morrendo, que as águas estavam ficando turvas, que suas vidas corriam risco, e tarde demais só lhes restariam as "margens"...




Nas ruas as pessoas corriam apressadas perseguindo algo que nunca encontrariam, e não percebiam as mudanças no mundo, com isso o perigo do progresso humano que os faziam julgarem-se inteligentes, mas não sábios, correndo o risco de esquecerem-se de Deus.


Assim como sempre os últimos a perceber o que acontecia em volta de si, agora percebiam, doenças misteriosas e incuráveis pipocavam a todo canto, olhavam os céus assustados e não entendiam se aqueles eventos eram cósmicos ou messiânicos, e descobririam sua pequenez diante do universo: um ao lado do outro, os inimigos, os pobres e os ricos, aquele um e aquele outro, os de pouca idade, os de muita idade para cá ou para lá, os que viviam brigando por quase nada, ou por nada, descobririam que as fortunas ou suas tecnologias arrogantes e escravagistas não teriam importância diante do caos...


Aquele desespero generalizado e incontrolável fazia luz nas suas cegueiras, enquanto isso os animais iam todos para o horizonte, voando, andando, todos tranqüilos em ordem. E eles os racionais indagavam-se, uns pela primeira vez, outros já o tinham feito porem somente a si próprio, alguns sentados no chão com o rosto entre as mãos abandonavam-se porque tudo parecia perdido, seria o fim...?


Na natureza agonizante morria as flores e o verde, as cores foram sumindo, agora todos relembravam da sua beleza diante daquela imensa feiúra, e eles como os reis tiranos dominaram e ficaram sozinhos, agora fracos e a centenas ajoelhavam-se aos gritos:- "Meu Deus" - e desabavam-se um nos braços dos outros, haviam compreendido! Um vácuo nas suas lembranças _ e tudo foi reiniciado...


Assim no horizonte, um pequeno ponto denunciava a volta de um pássaro, depois outros, os cachorros voltavam latindo abanando as caudas, e as manadas de outros animais. O verde foi rebrotando, uma flor? Olhem uma flor, mais e tão pequena!O céu voltou a ficar azul, as nuvens já pontilhavam aqui e acolá e uma nova terra nascia com sua brisa suave sem o cheiro acido e seco... Ouvia-se o murmúrio de um riacho, cânticos de felicidade ouviam-se de todo canto.




Nosso Senhor Deus havia devolvido nosso presente, MAIS UMA CHANCE.


"Eu nunca te deixarei nem desampararei" (Hebreus 13,5)

A MESA- Rivaldo R.Ribeiro

Não me lembro em que estava pensando naquele momento, estava na sala em frente à TV vendo não sei o que, mesmo que estivesse prestando atenção nada havia mudado. Quando de repente notei que olhava para algo de pernas compridas e finas, e sobre ela uma plataforma retangular. Entretanto muitas podem ser redondas, quadradas, ovais, triangulares, tortas, retas, pequenas, grandes, curtas, cumpridas, com cara de séria que nos mete medo, daquelas que dá vontade de sentar em volta tomar um cafezinho, comer uma leitoa assada, um frango ao molho, pobres animais!!! Ou sair correndo de medo, ou torcer para nunca chegar perto de uma, você pode pensar que sou maluco, mas estou falando das mesas.

Umas nos dão medo: mesa cirúrgica. Outras estragam a nossa vida: mesa de bar para um alcoólico. Enfim são de tantas utilidades e para diversas ocasiões.

Mas naquele momento a mesa que eu via, era a nossa mesinha da cozinha... Da nossa casa pequena e aconchegante, nossa mansão de oito cômodos...

Comecei a imaginar nos anos que ela estava ali, quantas histórias foram criadas ao seu redor nos almoços de domingos, quantos deveres de escola foi concluído sobre ela.

E as comemorações, ah que saudade!!! Dos natais, ano novo, aniversários das crianças, tempos alegres, tempos abundantes, outros nem tanto.

Velha mesa o que você tem para nos contar e nos confortar no dia de hoje?

Lembra daqueles tempos difíceis que nós aos domingos nos alimentávamos com algum franguinho de promoção...

Lembra daqueles natais pobres, porque a nossa experiência de vida não tinha ensinado ainda o que importa numa ceia: era o amor, a paz, a lembrança do menino Jesus, e isso nós sempre tivemos de sobras.

Nem tudo foi triste, aliás, nada foi triste, quantos banquetes você amparou nossa velha companheira, quantas vitórias você representa!!! Amparou nosso alimento, ajudou as crianças a escreverem, ajudou nas minhas decisões todas acertadas porque senão não estaria aqui com essas lembranças.

Ah grande amiga!!! A vida melhorou, mas juro, fique tranqüila você nunca vai perder seu posto, afinal você é de madeira nobre e igual a você não existem outras, as que existem são apenas belezas exteriores, não confio nelas: por dentro são todas falsas, nunca usaria para trocar uma lâmpada que quantas e quantas vezes você serviu de escada.

Os tempos passaram... As arvores mudaram de lugar... As pedras... Alguns rios não existem mais...

Velha mesa da cozinha... Que santuário. Nunca havia pensado nisso.


-0-


Amigo leitor me perdoe por algum deslize nas regras gramaticais... Se é que sou capaz de escrever corretamente... O amor é cego não consigo enxergar os erros... Talvez outra hora.

Velho Amigo- Rivaldo R.Ribeiro-SP

Carro velho, além dos problemas mecânicos que podem deixar a gente pedindo carona em qualquer lugar, existe outros de pequena importância, mas que nos deixa com raiva e de cabelo em pé, entretanto às vezes é hilário.

Eu vi numa manhã uma cena que era uma verdadeira luta dramática de um proprietário desses velhos “amigos”. Imagine!! O pobre homem lutava para abrir o bagageiro do seu “amigo”, ora a chave não entrava, e quando entrava não abria a tranca, e depois de muitos safanões e socos no já surrado “amigo” ele conseguiu abrir a tampa.

Bom! Colocou os objetos no compartimento que era seu primeiro objetivo, as compras do supermercado, ferramentas etc. tudo arrumado... Agora chegava o momento de trancar outra vez o bagageiro, ergueu a tampa juntou todas as forças e tentou uma vez... duas... Três... E nada de trancar, colocava a chave girava outra vez e fazia o teste e a tampa abria...

Aflito já com a paciência esgotada, força física diminuída pela exaustão e um pouco encabulado, pois já percebia que atraia a curiosidade de alguns debochados que a certa distância com sorrisinhos maliciosos murmurava alguma coisa depreciativa ao carro ou ao seu dono teimoso...

Mas na ultima tentativa, com todas as forças restantes, paciência restante, pensamento positivo... E o estrondo... E enfim o teste: bagageiro trancado. Ele entrou no lugar do motorista deu partida, o motorzinho ainda funcionava que era uma beleza, e partiu com seu velho “amigo” prometendo-lhe uma conversa séria junto com algumas marteladas e ajustes já feito aos milhares para novas aventuras.

Mas eu fiquei sabendo cá entre nós ali por perto, que o dito proprietário não vendia seu “amigo” por valor algum... Que o já havia reformado por várias vezes, estavam tudo novinho, pneus e motor novos, só tinha essa mania de não querer fechar as suas portas ou de vez em quando abrir de repente.

E isso sempre acontecia a ponto que um dia de domingo num passeio no campo a porta do passageiro abriu e sua companheira caiu para fora no meio de uma poça de lama, e a pobre senhora ficou furiosa, esbravejava, xingava de tudo exigindo a troca do brutinho, no entanto depois da raiva diminuída, banho tomado, desistia...Para que vender o velho “amigo”,né? Teria que comprar um “desconhecido” que talvez não abrisse as portas nunca... Assim é a vida, as portas fecham, entretanto também elas abrem...

domingo, 1 de agosto de 2010

A CRIANÇA DA CALÇADA(Conto de Natal) de Rivaldo Roberto Ribeiro


Quando vi aquela criança na calçada, observei que ao seu lado havia uma espécie de vasilha onde as pessoas comovidas ou com remorso colocavam algumas moedas, julgavam que assim pagariam suas dividas com sua consciência e com Deus. No Natal tem destas coisas, um amor repentino e passageiro...
A criança aparentava três ou quatro anos, barrigudinha, de braços e pernas fininhas, calada, ali encolhida, alheia a tudo, no seu rostinho sujo havia um risco que era o caminho das lágrimas que por ali sempre escorriam. Nas narinas as secreções de algum resfriado mal curado denunciam o seu sofrimento e abandono...

Lembro-me que uma mulher passou por mim ofegante, tinha a barriga grande e já mostrava nove meses de sacrifícios, talvez inútil sonhos diante deste mundo brutal, ela olhou para a criança da calçada, sua fisionomia demonstrou pena e pavor...

A mulher tinha um marido, mas não sabia por onde ele andava, a ultima noticia dava conta que ele trabalhava num canavial qualquer neste mundão de Deus, a partir daí não se ouviu falar mais dele, se morreu enterraram por lá mesmo, mas a mulher desconfia que o safado se enroscou com alguma rapariga daquelas bandas...

Neste momento a mulher que olhava para a criança disfarçou, e num movimento rápido tentou enxugar as lagrimas que teimosas tentavam escorrer pelo seu rosto e balançou a cabeça acomodando seus cabelos lisos e finos. E com os passos devagar e doloridos, caminhava de cabeça baixa olhando o chão sem ver os buracos e pedras, o que ela via era o medo do futuro da sua cria ainda na sua barriga, uma comparação terrível com aquela criança na beira da calçada.

A mulher foi-se distanciando devagar, e num último olhar via a criança da calçada, apática, pois a sua pequena vida já tinha lhe ensinado isso, pois o mundo que a recebeu um dia de repente, sem perguntar se queria vir, sem perguntar aonde queria ficar, largou-lhe por ai, mais indefesa que um pequeno animal, porém a estes Deus deu o instinto no lugar da inteligência...

A mulher já distante mostrava-se apenas uma silhueta, uma forma disforme que já começava a desaparecer com a tendência no declínio da rua. A criança da calçada sem esperanças levantou-se e começou seu retorno para mais uma noite de pesadelos junto aos maiores que iriam se juntar na praça, com medo da polícia, do frio, da chuva, e das sombras fantasmagóricas da noite.

A noite foi rápida, a criança da calçada teve sorte, dormiu sossegada, não foi incomodada pelos maiores, pela polícia, pelos fantasmas, dormiu e sonhou, teve lindos sonhos, desta vez nenhum pesadelo, apenas sonhos... O sol começava a bater no seu rostinho sujo, assim despertava para seu destino: mais um dia na calçada, pedir esmolas aos transeuntes, uns olhavam com desdém, outros falavam qualquer coisa inaudível, coisa boa não poderia ser, ou se fosse era apenas de pena, e a criança da calçada barrigudinha, ficou ali de cabecinha baixa, não tinha coragem de olhar para o alto, nele estava seu futuro e não via nada...

A noite para a mulher da barriga grande, foi difícil, veio a dor do parto, seu barraco pobre não tinha quase nada, tentou não gritar, mas foi impossível, ouviram... Correram para socorre-la. A cidade lá embaixo brilhava como nunca, um vento fraco e morno corria entre as ruelas da favela. E assim depois das dores o seu presente de natal havia chegado: um lindo menino forte como nunca se viu, todos sorriam ao ve-lo, alguns choravam emocionados, todas as mulheres radiantes, andavam para cá e para lá espalhando a noticia que a criança da mulher havia nascido...

 ...Logo de manhã a mulher desceu a rua devagar até a esquina que levava para outra rua, e assim começava a descer o morro devagar passando pelas pinguelas, escadas e trilhos... Depois de algum tempo ela ergueu o olhar a frente na esperança de reencontrar o seu medo, que agora não existia mais...

E a criança da calçada de repente sentiu que pegaram na sua mãozinha devagar e suave, era a mulher da barriga grande, com o filho no colo e disse-lhe:

- Vem... Vamos...

Veja essa publicação na Folha de São Paulo (não me recordo a data), mas foi bem antes do ano 2010 no link:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cjornalista/gd231205.shtml




sábado, 31 de julho de 2010

O ATO DE ESCREVER -Rivaldo Roberto Ribeiro

O ato de escrever é a organização das palavras em um sentido harmônico de idéias, sentimentos, informações, opiniões, investigações metafísicas, uma tentativa próxima de um arranjo musical pela emoção e pela sincronia entre uma palavra e outra. É uma espécie de conversa e desabafo com um leitor imaginário, um ato libertário, um delírio em tecer o abstrato e o concreto transformando nossa imaginação em mundos consistentes, sensações múltiplas que devem convergir apenas num ponto para que o leitor tenha compreensão sobre essas sensações, uma criação de momentos lúdicos proporcionando a nossa mente uma viagem à outra dimensão.


O ato de escrever é a necessidade de se comunicar e dizer aos outros que está aqui, que é parte deste mundo, não é colocar-se acima dos outros, e sim se colocar entre os outros, não deve ser confundido com arrogância, prepotência, vaidade ou coisa semelhante, pelo contrário na maioria das vezes são pessoas introspectivas e contemplativas, o que vem proporcionar o favorecimento da percepção pormenorizada e peculiar do mundo exterior.


O ato de escrever não é fácil, às vezes é impedido pelo senso do ridículo que age com suas marteladas doloridas e inimigas na nossa mente..., outras vezes há restrição pelo medo natural da sobrevivência. Mas as palavras vêm, não são amigas e nem inimigas precisamos conquistá-las, uma conquista difícil pela sua vocação de liberdade, que aprisionadas teimam em sair. Poderiam ficar escondidas nas gavetas, nos blocos de papel, no diário da agenda, mas que efeitos teriam? Só ouviríamos seus soluços pela tristeza de ficarem aprisionadas, asfixiadas nas angustias de sua própria determinação.


Quem escreve tem a esperança de mudar alguma coisa, se não tivesse esta esperança não adiantaria ir para essa aventura, ser julgado por todos de todas as formas, o medo das criticas ou indiferenças que podem nos levar a resignação. Mas espremido entre o céu e a terra esta renuncia não é possível, explode de forma incontrolável em palavras às vezes desconcertantes, sem sentido, sem lógica, correm para nossa mente como espermatozóides para a fecundação, que no inicio é apenas um sopro de vida, que vai desenvolvendo, crescendo, tomando forma, chegando ao seu sentido, tendo sua aparência e seu nascimento.


Depois de nascidas as palavras vão... Criam asas e voam... Já não mais nos pertence... Como todo bom pai e bom filho conversamos muito, encontramos seu desejo, sua sina, seu dom, e ensinamos o caminho, mostramos que sonhar com um mundo utópico não é loucura, as palavras têm esse poder de sonhar e realizar sonhos, pois a realidade se concretiza através dos sonhos. E por ai elas vão tentando explicar tudo que encontram pela frente: as verdades, os erros, a justiça, as crenças, as esperanças, as revoluções, a evolução... Um infinito caminho na busca da compreensão do homem.


Enfim o ato escrever é como a vida: difícil, misteriosa, nos leva a descobertas, nos da prazer, às vezes um medo apavorante, mas devo confessar que colocar todas as idéias sobre um assunto é deveras intrigante, é uma espécie de quebra-cabeça que não sabemos o resultado da imagem que se vai formar... E quando não há fidelidade com as idéias que queremos expor, sentimos uma tentação incrível de não prosseguir... Mas o desejo de continuar vem bater na porta novamente e se não abrirmos correremos o risco de virar as costas a única coisa realmente nossa: a liberdade de pensamentos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Só nos resta dizer adeus

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Abria janela e o tempo estava cinzento, seco e sem nuvens..
O mundo está diferente!!... Muita coisa mudou, outras não existem mais...
Esqueci de dizer adeus!!!...
Não vejo mais algumas aves, não vejo tantas flores e florestas...
Não vejo os fins de tarde com lindos cúmulos de nuvens...
Vamos dizer adeus às abelhas, as borboletas, aos beija flores, aos rios, aos anjos... as flores ?
Porque não adianta mais reclamar, denunciar, eles não ouvem...
Somos da paz, e a paz eles não ouvem...
Falar de amor à natureza para alguns parece esquisitice...
Não sabem o caminho, tomam trilhas incertas...


Estou triste! Não sei se isso importa a alguém...
Com certeza não, ninguém se importa!
Não vamos conseguir salvar a natureza...
Ela já chora desesperada, é queimada junto com seus filhos.
Só nos resta dizer adeus ao planeta Terra, ele morre...
E todos negam um ultimo abraço, estender as mãos.
Ninguém se importa com os animais assustados, queimados, expulsos dos campos que sempre habitaram.


Ninguém se importa!!...


Só nos resta dizer adeus ao mundo maravilhoso que existiu...


Rivaldo Roberto Ribeiro-
José Bonifácio-SP-24/junho/2007

O ÚLTIMO ARBUSTO

Rivaldo Roberto Ribeiro-(José Bonifácio-SP)

Paz é um sonho remoto, mas é um sonho...
Estamos descrentes dos homens...
Perderam a trilha, a direção, o destino...
Inocentes homens o que eles querem?
.
Provar o que?
.
Valentia, esperteza, maldade, revolta...
Provar o que? É grande, mas comporta-se pequeno,
Homens inocentes, não há sorriso em seus rostos,
Não choram... Mas não há sorriso em seus rostos,
Escondem o choro, porque não há sorriso em seus rostos,
.
Inocentes homens... Perderam o brilho, a fé, e suas lágrimas já não existem para regar seus corações áridos.
.
Inocentes homens... Matam, mutilam, degradam, humilham, exploram, ludibriam, poluem, devastam. Injustos!
.
Sempre pedem a Paz, mas nunca a constroem, nunca a cultivam,
Suas sementes são estéreis, esperam que nasçam algo que plantaram com medo de nascer.
Nascendo abranda a disputa, a violência, intolerância, ganância, injustiça...Inteligência?
.
Homens inocentes, não choram... Mas não há sorriso em seus rostos,
.
Paz sua semente é a justiça, está mofa, seu gérmen está morto, esqueceram de cultivar...
.
A colina esta árida e desfalecida, morta a poeira da terra se arrasta sem direção...
O vento traz um canto, os homens ouvem, apontam para o alto um arbusto,
.
Agora há sorrisos em seus rostos, agora eles choram...
Agora eles regam seus corações áridos e correm todos para o arbusto,
E na sua pequena sombra descansam da terra quente e morta,
.
Mas agora há sorrisos em seus rostos, agora eles choram,
E juntos na pequena sombra olham uns para os outros, e aponta para o horizonte outro arbusto,
.
Nascia novamente a esperança, os homens agora choram e há sorriso em seus rostos...


"19 de outubro de 2007"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Olhar Perdido-Poema de Rivaldo R.Ribeiro


Se um dia não houver mais flores...
Não houver mais verde...
Não houver mais água...
Não houver mais homens...

A Terra desolada e inóspita expulsou as pulgas parasitas...
de um mundo maravilhoso que o Pai havia preparado para Seus filhos.
Apenas Seus Filhos!...
Que já nesse tempo não estarão mais aqui...

Parem e olhem um pouco para o céu!...
Parem e olhem um pouco para as colinas!...
Parem e olhem um pouco para os rios!...
Parem e olhem um pouco para as matas!
Como seria se não houvesse tudo isso?...

Nada!

sábado, 5 de junho de 2010

"MENDIGO"















Caminhante de si mesmo...
Só desperto à sobrevivência,
Instinto que a realidade dura não subtrairia...
Olhar profundo e distante,
Livre por conseqüência...
Vítima de seus iguais...

Caminhante de si mesmo...
No mais profundo abismo...
À deriva arrancado da sua âncora...
E nas vagas ondeantes, velejava sem ânimo,
movendo-se conforme o vento...

No horizonte, sozinho já no último plano,
Uma imagem confusa que parecia flutuar sobre o calor do asfalto,ia para o destino de um mundo já perdido...
De companhia: a lembrança das suas feridas intima.


Ninguém? Foi o que vi?
Desnudo fiquei...
Adormecido!?
Acordei...


Seu crime: nunca foi capaz de fazer mal a ninguém,
Nunca soube trair,
Nunca soube roubar,
Nunca soube corromper,
Perfeito num mundo imperfeito...

Quem somos, porque não nos reconhecemos?
Quando somos arrancados da hipocrisia...
E nos mostramos como somos...
Fracos e dependentes uns dos outros...


Então porque ignoramos a nós mesmos...
mesmo abrigados lá estamos e sofremos com isso...

Num momento estamos aqui... E o futuro?
Futuro distante da nossa certeza,
Que a nossa arrogância encobre nossa fragilidade,
Encobre nossa desunião...
II
Sinto uma gratidão imensa...
Deus quis que eu ficasse do lado de cá,
Nem rico , nem pobre,
Nem pobre, nem miserável...
Mas ancorado em porto seguro...


(Rivaldo Roberto Ribeiro - José Bonifácio-SP)

terça-feira, 1 de junho de 2010

O CAMINHO.

Clique na foto- Imagem de Kleber Ribeiro

Em frente aos meus olhos: a vida mostra-se bela, como um palácio encantado e misterioso, uma musica com uma melodia suave traduzia que lá está tudo bem e feliz que não existe problemas...
Um outro mundo que se forma na minha imaginação, uma distancia que parece curta, de conquista imediata, um abstrato na visão, uma ilusão de ótica que não considera as curvas, aclives e declives para chegar ao destino, parece uma linha reta como se fosse possível flutuar sobre os acidentes deste terreno.


Estou aqui imaginando do lado oposto ao ponto final, mas como chegar até a ele se entre mim e ele existe a luta contra o mundo, que sempre nos impede com suas sombras? Sonhar nos leva a realidade, mas para que isso aconteça além de vários atalhos, teremos que construir muitas pontes, atravessar pântanos, abrir trilhas no meio da mata, desviar dos monstros azuis, verdes, vermelhos, de todas as cores e maneiras, coisas que sempre interpõe a nossa frente e impedem de realizar a travessia.


A coragem só manifestava-se enquanto transcorria “o inverno”, quando os caminhos estavam bloqueados e com isso nos davam as desculpas para o medo e a covardia de ir em frente, e os sonhos que vinham com força e entusiasmo ficavam adiados...
Porem ao iniciar-se a “primavera” escancarando as portas do mundo, quando as plantas começavam a reverdecer e as flores perfumarem ao vento, o sol dando energia à vida. Os sonhos da liberdade chegavam com suas angustias, e o medo do caminho voltava a aniquilar-me, olhava a imensidão a minha frente: não tinha dado nenhum passo, não havia descido nenhum degrau a frente da porta, não conhecia a emoção do começo, apenas escravo e servidor do cotidiano do mundo com suas fronteiras. Buscava segurança em vez de coragem...


Continuarei assim esperando? E a vida é como as vagas do mar revolto, sacodem o barquinho, leva para cima e de repente despenca das alturas, é uma montanha russa desgovernada... Meu Deus! Mas ela está em minhas mãos e sou seu timoneiro... Então porque não seguro com força e coragem, preciso dela para travessia...


Reúno todas as forças... À frente no horizonte, o palácio encantando não está tão longe assim... Percebi que alguns medos já não os tenho mais: assim sem querer já atravessei boa parte deste longo caminho, já deixei para trás os pântanos, as pedras, as pontes, e de longe olho as relíquias do passado que são tesouros bem guardados num cofre sem segredos, no entanto continua com a porta fechada e estão escondidos pela superficialidade que encobre a sabedoria que se manifesta tímida, com medo das incredulidades...


Para quem quer chegar não deve desconhecer que as trilhas de conquistas não são caminhos retos, no entanto seguindo os sinais dos que já atravessaram, eles não se ferirão nos espinhos, não se atolarão nos pântanos, e as pontes já estarão construídas. E chegando ao destino só tem que mudar as cores das janelas e regar as flores, para que o sonho continue...


Rivaldo R. Ribeiro

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O MENINO DEFICIENTE (José Bonifácio - SP)

Clique nas fotos para ampliar

Já era noitinha...O menino calçava o pé pequeno e defeituoso na sua alpargata e saia pela praça, ora caminhando com cuidado, ora saltando com a perna sadia (esquerda) para proteger o pé dolorido ou tentando disfarçar a sua anomalia,  dessa forma chegava à casa da bondosa *dona Diná para assistir televisão, pois havia poucas casas com aparelhos de TV naquela época.
Ficava quietinho num canto junto com outros meninos vendo os filmes de bang-bang, aventuras, policiais etc. ele não entendia muita coisa, mas o mundo naquela telinha o divertia, o deixava curioso, o levava a sonhar, a questionar sua vida e imaginar o que havia além dos seus horizontes...
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Outras vezes aparecia na casa do Nelson e dona Maria pais do seu amigo Thales Pereira. Lá num canto da sala da TV  já tinha sua cadeira cativa sempre a sua espera, ali ficava em silêncio quase oculto, só lembravam da sua presença quando ouviam a sua gargalhada repentina, por causa de alguma cena engraçada na TV...
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Além de ver televisão, o menino às vezes aventurava-se a procura de algum tesouro num deposito de sucatas. Ia escarafunchando até encontrar o que mais lhe interessava, livros de aventuras, Gibis, romances, jornais e revista velha, quantas novidades ele foi desvendando, imaginem um dia ele encontrou um livro em espanhol que dava dicas de como fazer um parto, outro sobre o primeiro transplante de coração, e assim foi se alimentando de conhecimentos que outras pessoas jogavam no lixo.
Ainda era criança o seu estado físico não o incomodava, brincava, tentava jogar bola, mas se outro menino o acertasse no tornozelo deformado as dores vinham, e saia mancando ou pulando, sentava num canto e por lá ficava choramingando até se recuperar... E depois devagarzinho e teimoso ia novamente a se arriscar no meio da molecada...
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A sua dificuldade de caminhar o levava a um sonho: um dia ganhar uma bicicleta, mesmo contra a deficiência causada pelas sequelas da poliomielite: atrofia muscular na perna direita, o problema no pé e as opiniões dos pessimistas ele tentou... Tentou... Tentou...
E assim um dia numa bicicleta emprestada do seu amigo, apoiando-se nos muros, ele conseguiu equilibrar-se e com a perna esquerda foi levando os pedais rua abaixo... Até hoje vem a minha memória a festa do seu amigo e a torcida das outras pessoas, para que ele continuasse a pedalar...E ele conseguiu...
.
Uma tragédia caiu sobre sua vida, seu pai adoecera e pouco tempo depois veio a falecer. Com a morte do seu pai a sua vida iria tornar-se difícil...Na sua fantasia de criança havia ainda uma esperança que seu pai não havia partido desse mundo, chegou o procurar até dentro dos armários sismado que ele estava escondido com sempre fazia nas suas brincadeiras. Seu pai, seu herói realmente havia partido...Um dia ele imaginou um escada que o levaria ao céu que logo se dissipou. Quando a realidade caiu dura e fria o menino chorou muito, não haveria mais jeito, nunca mais viria seu pai...
Sua família agora resumia em sua mãe e uma irmã mais nova, os outros parentes distanciaram-se... Cada um tinha sua vida (???????)
....
Sempre pelos cantos lendo seus velhos livros, alguns o rotulavam de "boboca", outros se referiam a ele como um menino "problema" porque quando seu interior chorava e o seu corpo tremia, achava consolo debaixo de alguma cama da casa e junto com pares de calçados, algum gato preguiçoso e  envolto no seu silencio adormecia...
.
À noite ele ia para uma pracinha próxima a sua casa e tentava brincar com os meninos e meninas, que na sua maioria eram brincadeiras de pega-pega, bola queimada, pula corda. Brincadeiras que ele não conseguia participar. Uma vez ou outra tentava, mas sua perna direita com músculos atrofiados pela paralisia infantil e o pé dolorido não permitiam.  

Chegava o tempo das aulas...

Agora nas manhãs o menino começava enfrentar o mundo... Ia para a escola e ficava encolhido num canto até à hora do "sinal", depois em fila com outros alunos iam todos para sua classe, escolhia sempre um dos últimos bancos... Preferia ficar sozinho tinha pavor de ser descoberto, e quando as abordagens aconteciam com aquelas perguntinhas inocentes ou maldosas o menino não respondia, porque na sua visão já se via diferente de outros meninos, e não tinha encontrado nada em si que poderia complementar as suas limitações.

Assim o menino já começava a penetrar nos mistérios da adolescência, a imaginar coisas intimas que logo de inicio se excluiu, pois o julgamento de si próprio era terrível, se enxergava roto, torto, desordenado, e não encontrava alento para que isso se resolvesse. A inocência que antes era a sua armadura contra o mundo foi-se quebrando, e o mundo escolar começou a representar para ele um lugar de tormentas e aflições.

O único sentido na sua vida além das curiosidades nos livros encontrados na sucata, era a uma velha bicicleta que ganhou da sua mãe. E pedalando com a força da perna esquerda, corria pelos arredores da cidade em companhia de seu periquito que ia agarrado no guidão ao sabor do vento, buscavam nos campos a liberdade e outros seres viventes que apenas lhe traziam suas plumas, suas cores, seus cantos e nunca lhe perguntavam por que não caminhava direito?
Num destes passeios o menino encontrou um passarinho com uma asa ferida, colocou a sua mãozinha sobre a ave pediu a Deus e disse: "voe eu te ajudo" e o passarinho voou... A graça do passarinho entre os galhos se desfazendo do medo, despertava no menino um misto de ternura e companheirismo, o bichinho havia encontrado ajuda... Em vôos curtos ia para uma árvore, outra árvore, e fugiu para a floresta...

Completava 13 ou 14 anos, órfão de pai foi obrigado a trabalhar num escritório de contabilidade, o escalaram para os serviços externos, uma tarefa incompatível com sua realidade física e psicológica, porque fizeram isso? Por que há pessoas que não compreendem as dores alheias? Talvez porque não compreendem coisa alguma... (Poderiam classificar como uma ficção para ilustrar esta história, mas deu-se exatamente assim e com maiores detalhes...) A morte passou pela sua mente muitas vezes, mas não daria esse prêmio a eles, não mereciam este sacrifício...

Já não usava mais as alpargatas da infância, neste tempo o menino já calçava botas improvisadas como se fossem ortopédicas. E no pé deformado ele colocava varias meias e apertava bem os cadarços, assim aliviaria as dores que sentia no tornozelo... E pelas ruas pedalando com a perna esquerda ia e vinha com papeis, dava recados, fazia cobranças, pagamentos nos bancos, percorria as repartições, fazia amizades, aprendizagem sobre a sua existência, descobria que havia homens maus e homens bons, e cada um deles apontava um caminho. Descobria que havia o caminho das pedras e das flores, e cada um deles levava a um destino.

Num dia encontrou um amigo que não sabia que existia... Sr. Armando aproximou-se do menino, não perguntou se lhe doía à perna, não perguntou nada, apenas se queria trabalhar no seu escritório e a função era apenas interna, teria sua mesa e seu espaço e novas oportunidades.

E assim começou o seu novo caminho pedalando a sua bicicleta com a perna esquerda, agora apenas para ir ao novo trabalho... Até hoje que não se lembra do menino deficiente, é só descreve-lo, aonde anda pelo mundo?


Comentário de um dos melhores amigos que encontrei na internet:  

Blog do Morani disse...
Grande vida, sem que tivesse a noção exata da "prova" a qual se sujeitava. Criança ainda e já se formava em seu espírito vivaz os questionamentos à sua própria condição de Vida. Ansiava descobrir o futuro abrindo-lhe às portas todos os seus receios, todas as suas esperanças e todos os seus sonhos. Há muitas outras crianças assim. Eu fui uma delas, também. "O que pode haver além do horizonte?" Só o Futuro descortinaria aos anseios do Menino Deficiente o que seria a sua existência além dos mistérios, além de seus medos e de suas aspirações. Ele se escondeu ao máximo para não se ver conspurcado em seus sonhos e em seus planos, que os tinha, mas mal formados pelas dúvidas que carregava consigo como pesado fardo cheio de pavores. Sem entender as razões de suas limitações não lobrigou que força maior se agigantava em seu íntimo. Era preciso dar tempo ao tempo. Transformou-se em um desbravador de "sucatas" por acreditar, talvez, que o seu pequeno mundo jamais sairia das fronteiras em que vivia. Os velhos livros lhe abriram a visão maior - os frutos das sucatas. Encontrou, ele, na singularidade da situação, os primeiros degraus de sua subida. A força de vontade indômita adveio de um jogo de bola em que levou uma pancada e deixou o campo de jogo. Voltou. Demonstrava, já, toda a sua "teimosia" em não aceitar ser menos que os demais. Diga-o sua irrepreensível vontade de montar a uma bicicleta e sair pedalando com uma só perna - a "boa", à esquerda. E o que não conseguiria esse Menino Deficiente? Buscar refúgio debaixo de camas, entre teias de aranha, não o assustava. Assustava-o mais os olhos perquiridores das gentes sem sentimentos e sem respeito por sua deficiência. A orfandade o atingiu cedo ainda. Mas havia outro Pai, alerta e cuidadoso, guardando para ele as mais brilhantes situações.
Emocionante é a passagem à praça da cidade e o carrinho de pipocas. Humilhante? Não para ele que via tudo de modo avesso aos dos outros garotos. Continuou a sofrer na escola, mas foi lá que se quebrou uma parte do "gelo" a que se via mergulhado. Ou enfrentava o mundo ou o mundo faria isso o separando de entre os demais. Teria escolha o Menino Deficiente? Não! A Vida o havia escolhido. Desafios não são para serem testados, mas enfrentados. No íntimo ele sabia e o provou, anos mais tarde. A Natureza não dá saltos, mas caminha lentamente, porém direito ao seu Destino. Uma sua testemunha jamais poderá falar ao seu favor: um passarinho que ele encontrou certa vez sem possibilidade de alar-se em vôos libertadores. Colocou-o às mãos protetoras e em uma prece ao Pai Superior, que já o Tinha à conta de um cavaleiro de capa e espada, atendeu seu pedido. O passarinho alçou vôo direto de sua mão. Que de encantamento! Vaticínios? Sem dúvida foram. Topou caminhos de pedras e de flores. A qual enveredar? Não seria sua a escolha. Sua escolha já se achava pronta e justa a se encaixar a ele. Ele entendeu que os de pedra foram os primeiros a lhe burilar a Alma como se burila uma pedra preciosa para lhe tirar mais brilho, como os diamantes. O Menino Deficiente não anda pelo Mundo. Ele anda pelos caminhos ásperos ao mesmo tempo em que suaves de José Bonifácio, SP. Não tem mais sua bicicleta, mas tem um seu veículo automotivo - Fusca - que o atende muito bem nas andanças que empreende pelo município. Vê-lo por lá, em momentos que seriam de folga, não é difícil. Se você não pode estar lá, imagine-se lá ao seu lado em visitas a lugares ermos a fim de evitar desastres de graves proporções para José Bonifácio e sua população ordeira. É chefe de família; é pai, dos mais dedicado, e mais dedicado filho da Mãe Natureza que o Pai Maior o fixou ali para a proteção de Suas Criações. Eis como vejo atualmente o Menino Deficiente, que deixou de ser.