quarta-feira, 9 de junho de 2010

Olhar Perdido-Poema de Rivaldo R.Ribeiro


Se um dia não houver mais flores...
Não houver mais verde...
Não houver mais água...
Não houver mais homens...

A Terra desolada e inóspita expulsou as pulgas parasitas...
de um mundo maravilhoso que o Pai havia preparado para Seus filhos.
Apenas Seus Filhos!...
Que já nesse tempo não estarão mais aqui...

Parem e olhem um pouco para o céu!...
Parem e olhem um pouco para as colinas!...
Parem e olhem um pouco para os rios!...
Parem e olhem um pouco para as matas!
Como seria se não houvesse tudo isso?...

Nada!

sábado, 5 de junho de 2010

"MENDIGO"















Caminhante de si mesmo...
Só desperto à sobrevivência,
Instinto que a realidade dura não subtrairia...
Olhar profundo e distante,
Livre por conseqüência...
Vítima de seus iguais...

Caminhante de si mesmo...
No mais profundo abismo...
À deriva arrancado da sua âncora...
E nas vagas ondeantes, velejava sem ânimo,
movendo-se conforme o vento...

No horizonte, sozinho já no último plano,
Uma imagem confusa que parecia flutuar sobre o calor do asfalto,ia para o destino de um mundo já perdido...
De companhia: a lembrança das suas feridas intima.


Ninguém? Foi o que vi?
Desnudo fiquei...
Adormecido!?
Acordei...


Seu crime: nunca foi capaz de fazer mal a ninguém,
Nunca soube trair,
Nunca soube roubar,
Nunca soube corromper,
Perfeito num mundo imperfeito...

Quem somos, porque não nos reconhecemos?
Quando somos arrancados da hipocrisia...
E nos mostramos como somos...
Fracos e dependentes uns dos outros...


Então porque ignoramos a nós mesmos...
mesmo abrigados lá estamos e sofremos com isso...

Num momento estamos aqui... E o futuro?
Futuro distante da nossa certeza,
Que a nossa arrogância encobre nossa fragilidade,
Encobre nossa desunião...
II
Sinto uma gratidão imensa...
Deus quis que eu ficasse do lado de cá,
Nem rico , nem pobre,
Nem pobre, nem miserável...
Mas ancorado em porto seguro...


(Rivaldo Roberto Ribeiro - José Bonifácio-SP)

terça-feira, 1 de junho de 2010

O CAMINHO.

Clique na foto- Imagem de Kleber Ribeiro

Em frente aos meus olhos: a vida mostra-se bela, como um palácio encantado e misterioso, uma musica com uma melodia suave traduzia que lá está tudo bem e feliz que não existe problemas...
Um outro mundo que se forma na minha imaginação, uma distancia que parece curta, de conquista imediata, um abstrato na visão, uma ilusão de ótica que não considera as curvas, aclives e declives para chegar ao destino, parece uma linha reta como se fosse possível flutuar sobre os acidentes deste terreno.


Estou aqui imaginando do lado oposto ao ponto final, mas como chegar até a ele se entre mim e ele existe a luta contra o mundo, que sempre nos impede com suas sombras? Sonhar nos leva a realidade, mas para que isso aconteça além de vários atalhos, teremos que construir muitas pontes, atravessar pântanos, abrir trilhas no meio da mata, desviar dos monstros azuis, verdes, vermelhos, de todas as cores e maneiras, coisas que sempre interpõe a nossa frente e impedem de realizar a travessia.


A coragem só manifestava-se enquanto transcorria “o inverno”, quando os caminhos estavam bloqueados e com isso nos davam as desculpas para o medo e a covardia de ir em frente, e os sonhos que vinham com força e entusiasmo ficavam adiados...
Porem ao iniciar-se a “primavera” escancarando as portas do mundo, quando as plantas começavam a reverdecer e as flores perfumarem ao vento, o sol dando energia à vida. Os sonhos da liberdade chegavam com suas angustias, e o medo do caminho voltava a aniquilar-me, olhava a imensidão a minha frente: não tinha dado nenhum passo, não havia descido nenhum degrau a frente da porta, não conhecia a emoção do começo, apenas escravo e servidor do cotidiano do mundo com suas fronteiras. Buscava segurança em vez de coragem...


Continuarei assim esperando? E a vida é como as vagas do mar revolto, sacodem o barquinho, leva para cima e de repente despenca das alturas, é uma montanha russa desgovernada... Meu Deus! Mas ela está em minhas mãos e sou seu timoneiro... Então porque não seguro com força e coragem, preciso dela para travessia...


Reúno todas as forças... À frente no horizonte, o palácio encantando não está tão longe assim... Percebi que alguns medos já não os tenho mais: assim sem querer já atravessei boa parte deste longo caminho, já deixei para trás os pântanos, as pedras, as pontes, e de longe olho as relíquias do passado que são tesouros bem guardados num cofre sem segredos, no entanto continua com a porta fechada e estão escondidos pela superficialidade que encobre a sabedoria que se manifesta tímida, com medo das incredulidades...


Para quem quer chegar não deve desconhecer que as trilhas de conquistas não são caminhos retos, no entanto seguindo os sinais dos que já atravessaram, eles não se ferirão nos espinhos, não se atolarão nos pântanos, e as pontes já estarão construídas. E chegando ao destino só tem que mudar as cores das janelas e regar as flores, para que o sonho continue...


Rivaldo R. Ribeiro