sábado, 5 de junho de 2010

"MENDIGO"















Caminhante de si mesmo...
Só desperto à sobrevivência,
Instinto que a realidade dura não subtrairia...
Olhar profundo e distante,
Livre por conseqüência...
Vítima de seus iguais...

Caminhante de si mesmo...
No mais profundo abismo...
À deriva arrancado da sua âncora...
E nas vagas ondeantes, velejava sem ânimo,
movendo-se conforme o vento...

No horizonte, sozinho já no último plano,
Uma imagem confusa que parecia flutuar sobre o calor do asfalto,ia para o destino de um mundo já perdido...
De companhia: a lembrança das suas feridas intima.


Ninguém? Foi o que vi?
Desnudo fiquei...
Adormecido!?
Acordei...


Seu crime: nunca foi capaz de fazer mal a ninguém,
Nunca soube trair,
Nunca soube roubar,
Nunca soube corromper,
Perfeito num mundo imperfeito...

Quem somos, porque não nos reconhecemos?
Quando somos arrancados da hipocrisia...
E nos mostramos como somos...
Fracos e dependentes uns dos outros...


Então porque ignoramos a nós mesmos...
mesmo abrigados lá estamos e sofremos com isso...

Num momento estamos aqui... E o futuro?
Futuro distante da nossa certeza,
Que a nossa arrogância encobre nossa fragilidade,
Encobre nossa desunião...
II
Sinto uma gratidão imensa...
Deus quis que eu ficasse do lado de cá,
Nem rico , nem pobre,
Nem pobre, nem miserável...
Mas ancorado em porto seguro...


(Rivaldo Roberto Ribeiro - José Bonifácio-SP)

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