domingo, 29 de agosto de 2010

DONA DEOLINDA: UMA MEMÓRIA COM CARINHO. (Rivaldo R.Ribeiro)

28/01/2007
Falar sobre Dona Deolinda M. Cândida exigiria um grande conhecimento literário que não possuo. Contudo o tempo vai passando e nós os sentimentais, cultivamos a nostalgia. Foi por isso que me lembrei de Dona Deolinda, personagem importante presente na minha tão distante infância. Uma lembrança doce e especial que, ainda hoje, minha memória reflete sua voz compassada, conciliadora e compreensiva. É uma lembrança de ternura que soa como melodia suave, com seu carinho envolvente e sincero afeto.

Casada com o Sr. João V. dos Santos teve 21 filhos. Ela chegou a Ubarana em 1.902 e, em 19l3 seu pai e seu irmão fizeram a doação do patrimônio para a vila, onde se casou com João no dia 12 de outubro de 1916. É, portanto uma entre os fundadores daquela cidade.

Procuro na memória, consulto parentes, pois foi em fevereiro de 1957, quando eu ainda tinha um ano e alguns meses, que tudo aconteceu. Meus pais lutavam duro no seu pedaço de chão, nos arredores de Ubarana. Com seu esforço sobre-humano desmatavam os campos manualmente para o plantio da roça, mas sempre encontraram nos Virginios, seus vizinhos e amigos, o companheirismo, característica do camponês daqueles tempos.

Viu-se, então, um surto de pólio, levando algumas crianças à morte e deixando outras com seqüelas irreversíveis. Uma situação que atestou a sabedoria e o carinho maternal de Dona. Deolinda. Foi quando meus pais faziam uma visita a seus vizinhos nos fins de tarde, atitude corriqueira naqueles tempos. Dona Deolinda constatou no meu desfalecimento repentino os sintomas da terrível doença, e alertou com veemência meus pais para que procurassem orientação médica.

Com a suspeita confirmada os sonhos de meu pai desmoronavam ali. Homem simples via a realidade diante dos olhos, a possibilidade de perda de seu primeiro filho homem. Uma tragédia para um camponês que via no filho a extensão de seu espírito caboclo, que tinha no campo seu único meio de sobrevivência.

O diagnóstico antecipado da doença além de salvar-me a vida, tornou-se possível à redução das seqüelas da doença.

Hoje a imagino sorrindo quando me via, criança solta pelos campos, a cavalo, livre, feliz, realimentando as esperanças e os sonhos de meu pai, que me chamava de forma carinhosa de "coronelzinho", apelido sugestivo conforme seus ideais.

Os tempos passaram e o capricho do destino fez que um de seus filhos: o Dito do Posto de Saúde confirma o que Divino Mestre nos ensina sobre os bons frutos, pois ele participa da magia da imunização de tantas outras doenças, entre elas, a pólio.(Infelizmente o Dito também já falecido, quanto escrevi essa crônica ele ainda estava entre nós)  

Dona Deolinda e seu João ambos já falecidos ficaram na minha memória como personagens importantes na aventura da minha existência...

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