domingo, 29 de agosto de 2010

A MESA- Rivaldo R.Ribeiro

Não me lembro em que estava pensando naquele momento, estava na sala em frente à TV vendo não sei o que, mesmo que estivesse prestando atenção nada havia mudado. Quando de repente notei que olhava para algo de pernas compridas e finas, e sobre ela uma plataforma retangular. Entretanto muitas podem ser redondas, quadradas, ovais, triangulares, tortas, retas, pequenas, grandes, curtas, cumpridas, com cara de séria que nos mete medo, daquelas que dá vontade de sentar em volta tomar um cafezinho, comer uma leitoa assada, um frango ao molho, pobres animais!!! Ou sair correndo de medo, ou torcer para nunca chegar perto de uma, você pode pensar que sou maluco, mas estou falando das mesas.

Umas nos dão medo: mesa cirúrgica. Outras estragam a nossa vida: mesa de bar para um alcoólico. Enfim são de tantas utilidades e para diversas ocasiões.

Mas naquele momento a mesa que eu via, era a nossa mesinha da cozinha... Da nossa casa pequena e aconchegante, nossa mansão de oito cômodos...

Comecei a imaginar nos anos que ela estava ali, quantas histórias foram criadas ao seu redor nos almoços de domingos, quantos deveres de escola foi concluído sobre ela.

E as comemorações, ah que saudade!!! Dos natais, ano novo, aniversários das crianças, tempos alegres, tempos abundantes, outros nem tanto.

Velha mesa o que você tem para nos contar e nos confortar no dia de hoje?

Lembra daqueles tempos difíceis que nós aos domingos nos alimentávamos com algum franguinho de promoção...

Lembra daqueles natais pobres, porque a nossa experiência de vida não tinha ensinado ainda o que importa numa ceia: era o amor, a paz, a lembrança do menino Jesus, e isso nós sempre tivemos de sobras.

Nem tudo foi triste, aliás, nada foi triste, quantos banquetes você amparou nossa velha companheira, quantas vitórias você representa!!! Amparou nosso alimento, ajudou as crianças a escreverem, ajudou nas minhas decisões todas acertadas porque senão não estaria aqui com essas lembranças.

Ah grande amiga!!! A vida melhorou, mas juro, fique tranqüila você nunca vai perder seu posto, afinal você é de madeira nobre e igual a você não existem outras, as que existem são apenas belezas exteriores, não confio nelas: por dentro são todas falsas, nunca usaria para trocar uma lâmpada que quantas e quantas vezes você serviu de escada.

Os tempos passaram... As arvores mudaram de lugar... As pedras... Alguns rios não existem mais...

Velha mesa da cozinha... Que santuário. Nunca havia pensado nisso.


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Amigo leitor me perdoe por algum deslize nas regras gramaticais... Se é que sou capaz de escrever corretamente... O amor é cego não consigo enxergar os erros... Talvez outra hora.
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