segunda-feira, 20 de junho de 2011

MINHA CASA NO PERISSÊ

Crônica liliputiana


Perissê é o bairro onde vivo há dez anos. O endereço é: Rua Campos Salles, 55 sobrado. Das janelas da sala e do meu quarto tenho uma deslumbrante e única vista de parte da cidade e do bairro.
À minha frente duas montanhas rochosas gêmeas nomeadas Duas Pedras tendo ao seu topo o antigo Colégio Fundação Getulio Vargas - para filhos de ricos - e, mais abaixo, aos seus pés, outro colégio - esse centenário Colégio Anchieta onde estudou Euclides da Cunha e deu aulas Ruy Barbosa! Daqui vislumbro sua vetusta fachada e as muitas palmeiras que nos dão boas vindas.

Porém, estou aqui para falar de “nossa” casa querida.

Aos 23 de março de 1997 entramos pela segunda vez por sua porta, definitivamente. Ela era o que vínhamos procurando com todo empenho. Nós cabíamos nela, com folga, e ela cabia em nosso orçamento
familiar, ou seja: o aluguel não ultrapassava os 30% dos nossos salários, aconselhado por técnicos em economia. Ela nos oferece sala espaçosa com candelabro de cinco pontas; uma das paredes é guarnecida
por pedras, esverdeada e acinzentada, de matizes variados. Duas grandes janelas trazem-nos luz soalheira intensamente. À frente - como disse - uma janela a guisa de moldura nos mostra campos distantes.
 Há paisagens dignas a um Monet; a outra, à parede lateral, leva nossas vistas a um bosque onde um condomínio excelente predomina, adormecendo sob sombras uma população da classe média. A “nossa” casa nos oferece ainda dois quartos e hall de entrada, espaçosos; copa-cozinha de ótimo tamanho, banhada de muita luz; banheiro igualmente espaçoso; varanda à ré da casa e uma laje totalmente nossa.


Laje imensa que nos serve como "mirante" nos dando deslumbrante vista da nossa cidade centenária emontanhosa e outras paisagens ricas em verdes. Mas foi morando nela que me descobri com sérios problemas de saúde. Em compensação, foi nela que usei a visão privilegiada para pintar paisagens magníficas dali descortinadas. Aqui, nesta casa que nos faz felizes, passei os piores e melhores momentos da atual quadra de minha vida.

Não descarto a possibilidade de permanecer nela por mais dez anos, se Deus permitir. Sempre fui muito apegado aos lugares escolhidos para moradia. Não vivi pulando de casa a casa, de bairro a bairro, mas tão somente de cidade a cidade. Valeu a pena escolher essa nova residência para moradia. Demoramos encontrá-la.

Esta casa - em bairro tranqüilo -é bem iluminada e espaçosa e acolhedora -, era o nosso sonho. Boa vizinhança nos rodeia e sem comércio indesejável perto. Para completar, acredito termos o mais humano e compreensível senhorio de toda nossa vida. Um nonagenário incomparável como pessoa, mesmo solitário - pela metade - como é. Viúvo faz-lhe companhia excelente criatura até as dezessete horas. Nelcy é o seu nome. Mulher no gênero, mas um "anjo caído do céu" para dissociar a viuvez do meu senhorio, Sr. Cizínio, à sua solidão. Espero seja longa a sua vida mais do que tem sido. Assim me sentirei duplamente atendido, e a continuidade ou não de nossa presença neste amado sobrado talvez dependa da boa vontade de terceiros, mas, se depender de nós me morrerá, e Léia também, ali, entre as suas paredes, debruçados sobre as paisagens descobertas e amadas desde 1997.



Morani

http://blogdomorani.blogspot.com/
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