quarta-feira, 27 de julho de 2011

Octogenário!

Já estou há oitenta anos na escola da vida!
Nem por isso, no entanto, sinto-me formado,
Ou pronto para a prova final, que é sofrida
Para quem não cuidou de um preparo adequado...


Perdoa-me, Senhor, por ter desperdiçado
A quadra que me deste para a pretendida
Melhora que não fiz; e sei que sou culpado!
Mas, por favor, meu Deus, retarda minha partida.


D´hoje em diante usarei o prazo que me resta
Para fazer do amor à Vida a melhor festa
E à qual convidarei a todos meus irmãos!


Quero recompensar o tempo que perdi,
Fazendo agora o bem com minhas próprias mãos
E merecer, no fim, chegar bem junto a Ti!


Amilton


25.07.1931 – 25.07.2011





VIDA...

A vida e curta demais.

A gente dorme jovem...
Acorda no outro dia olhando para o teto, tenta pegar o relógio e não consegue enxergar as horas, cadê os óculos?

Pronto estamos velhos...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

INCREDULIDADE - Lc 16, 19-31-por Amilton M. Monteiro

Havia um homem rico que só se vestia
de púrpura e linho; e se banqueteava
com intensa glutonia, todo santo dia,
enquanto em seu portão um pobre se prostrava
a mendigar, na busca de matar a fome,
com um pouco de migalha que ao rico sobrava.

 Mas ao chagado Lázaro (era o seu nome),
o rico nem ligava ou dava o que comer.
E, enquanto na miséria o pobre se consome,
somente os cães, as chagas vinham-lhe lamber.
Aconteceu que um dia aos seios de Abraão
foi conduzido o pobre, logo ao falecer. 

Tempos depois quem morre é o rico. E, sem perdão
foi para o inferno. E lá, das aflições no meio,
ao levantar seus olhos tem uma visão:
ao longe, vê Abraão com Lázaro em seu seio.
Então, gritando diz: “Abraão, meu pai querido,
tem compaixão de mim que este tormento odeio!

Oh!, por favor, te imploro, atende o meu pedido
e, sem demora, manda Lázaro molhar
a ponta do seu dedo n´água, e assim embebido,
me traga, para a língua um pouco eu refrescar,
pois nesta chama estou penando, atormentado!”.
Abraão, porém lhe diz, fazendo-o recordar.

“Lembra-te, filho meu, que em vida te foi dado
colher só bens, enquanto Lázaro só males.
Agora é dele a vez de ser bem consolado;
E tu atormentado. Além do que, esses vales,
descomunais abismos que entre vós e nós
se firmam, doravante exigem que te cales, 
 pois quem quiser passar daqui pr´onde estais vós
não pode. E nem sequer os que aí estão
podem até nós chegar”. E diante o fato atroz
o rico retrucou: “por comiseração
te peço que o envies, pai, ao meu paterno
lar, onde estão meus cinco irmãos!. E de antemão
alerte-os pra evitar de vir para este inferno!”

No entanto, Abrão responde: Eles já têm Moisés
e os Profetas meus. Que tenham ouvido terno
ao que eles dizem”. Mas o rico ao invés
de se calar, retruca. “Não, Abraão, meu pai,
pressinto que somente sendo através de alguém que for dos mortos ter com eles, vai fazer que meus irmãos pratiquem penitência”.

Daí a voz de Abraão, concluindo, sobressai:
“S´eles não dão ouvidos (ah! Que negligência!),
ao que todos os Profetas estão a proclamar,
tampouco valerá de um morto a advertência,
nem se ressuscitar irão acreditar”!


Amilton M. Monteiro

Publicando originalmente no dia Sábado , 14 de Março de 2009-
no blog ATITUDE CRISTÃ-       http://caminho.perfeito.zip.net


quinta-feira, 21 de julho de 2011

AMIGO- Por Amilton Maciel Monteiro

Amigo qual você é jóia rara
Que eu quero conservar até morrer...
Tivesse o mundo inteiro uma seara
De gente de seu jeito, que prazer!


Você, sempre é cordial e nunca pára
De demonstrar apreço e bem-querer
A todos que o conhecem “cara a cara”,
E até mesmo através só do escrever!


Eu peço a Deus que assim sempre o conserve
Com tanta educação e tanta verve,
Para tornar a Terra mais feliz!
E sei que o Pai do Céu me atenderá,


Porque é Ele mesmo que me diz,
Que quem pedir, com fé, alcançará!


amilton


Obs.Poema que recebi do autor,
Fiquei muito feliz e orgulhoso por ter
tão grande amigo.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Aos que vierem depois de nós



Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.


Que tempos são estes, em que
é quase um delito falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?


É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"


Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.


Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.


Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.


No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.


As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.


Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.


Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.


E, contudo, sabemos que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós com indulgência.

Clique e pesquise:BERTOLT BRECHT

(Tradução de Manuel Bandeira)




Razão e imaginação.

Por Rivaldo R.Ribeiro


Nossa razão muitas vezes está na nossa imaginação, pois o mundo real a nossa volta é um faz de conta.


Quem expõe a sua própria realidade aos outros?


Muitas vezes nem a si próprio!


Eu sou o que sou apenas isso... Os outros que me classificam como isso ou aquilo, muitas vezes como alguém genial e boa gente, outras vezes tudo ao contrário.


Então porque preocupar-me com a opinião de alguém!


Pode ser que tenham razão, pode ser que seja apenas uma falsa opinião sobre mim: enigmas de uma personalidade pensante...

Viver como as flores


- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.


- Pois viva como as flores - advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim.
- Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.


É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.


Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.






Isso é viver como as flores.




Fonte: http://pensamentopositivo.com.br   

domingo, 3 de julho de 2011

SAUDADE AGENTE SÓ TEM DO QUE FOI BOM

(Rivaldo Roberto Ribeiro-Jose Bonifácio- SP),

Que saudade dos tempos que éramos felizes e não sabíamos, as angústias não existiam e nem tal depressão. O que era isso? Antidepressivos? Nunca havia se ouvido falar. Se houvesse alguma contrariedade resolvia-se com chazinho de erva cidreira e com muita fé em Deus.

 Violência só se ouvia como se fosse uma lenda, diziam que aconteciam lá pelas bandas do sertão, Lampião, jagunços, essas coisas. Tinha sim violência, as dos botecos, era um brigão danado, só se envolvia quem queria, nenhum era inocente, e no final todos tomavam uma boa pinga juntos ouvindo um boa moda de viola.


Quando agente mudava de casa, os vizinhos ficavam emocionados dizendo adeus e boa sorte, era uma perda! Hoje a gente descobre que eles mudaram porque a casa ficou vazia, ou seria o nosso coração vazio?


Ir na escola era um grande orgulho, como eu ficava orgulhoso com meu uniforme do colegial, e hoje? Coitado do bom aluno! Como sofre. Mas tinha uma diferença, meu pai dizia:"Se você não estudar vai carpir roça", agente tinha livre escolha: carpir roça ou estudar.


Pois é meus amigos! As diferenças são grandes: avanço tecnológico e abandono da sabedoria.
 Apenas duas comparações:

A tecnologia que se origina na inteligência está destruindo mundo...

A sabedoria que vem do interior do ser humano vê isso com muita tristeza!


Um gato que era tigre(??) Por Rivaldo R.Ribeiro


Desenho de Kleber Ribeiro

Era vez um gato... Imaginativo, começar uma historinha dessa forma: Era uma vez... Mas vamos lá... Era uma vez um gato muito vaidoso que se julgava um tigre, se olhava no espelho e via um tigre, caminhava sobre os telhados e muros, calda ereta e com passos macios se imaginando um tigre...


Era um gato grande, mas não era um tigre, era apenas um gato narcisista. E os outros gatos tinham muito medo dele por causa da sua arrogância e pretensa astúcia. As gatinhas eram todas apaixonadas por ele e brigavam todas as noites numa gritaria terrível que acordava todos os humanos na vila.


Pois bem! Eu não quero alongar muito essa história, vamos logo ao desfecho...


Certo dia chegou à cidade um circo, um grande circo de animais: macacos, cobras, elefantes, pássaros, cães, leões, tigre.. Tigre? Esse nome me bateu na mente como uma martelada.


O gato ficou sabendo do tal tigre, e, mas uma vez olhou-se no espelho e lá estava o tigre na sua imaginação. Mas a sua arrogância nunca iria fazê-lo ver a verdade e caminhou, mas uma vez sobre os telhados, muros até o circo... Lá chegando foi direto a jaula do verdadeiro tigre e caminhou direto para dentro da jaula para desafiá-lo...


Era uma vez um gato que pensava que era um tigre...

A Viajante

Rubem Braga

Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.

Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.

Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.

Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.

Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.

Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.