domingo, 25 de setembro de 2011

LIBERDADE E O CAMINHO, Por Rivaldo R.Ribeiro



Em frente aos meus olhos: a vida mostra-se bela, como um palácio encantado e misterioso, uma musica com uma melodia suave traduzia que lá está tudo bem e feliz, que não existem problemas...
Outro mundo se forma na minha imaginação, uma distancia que parece curta, de conquista imediata, um abstrato na visão, uma ilusão de ótica que não considera as curvas, aclives e declives para chegar ao destino, parece uma linha reta como se fosse possível flutuar sobre os acidentes deste terreno.

Estou aqui imaginando do lado oposto: o ponto final, mas como chegar até a ele se entre mim e ele existe a luta contra o mundo, que sempre nos impede com suas sombras? Sonhar nos leva a realidade, mas para que isso aconteça além de vários atalhos, teremos que construir muitas pontes, atravessar pântanos, abrir trilhas no meio da mata, desviar dos monstros azuis, verdes, vermelhos, de todas as cores e maneiras, coisas que sempre interpõe a nossa frente e impedem de realizar a travessia.

A coragem só manifestava-se enquanto transcorria “o inverno”, quando os caminhos estavam bloqueados e com isso nos davam as desculpas para o medo e a covardia de ir em frente, e os sonhos que vinham com força e entusiasmos ficavam adiados...

Porem ao iniciar-se a “primavera” escancarando as portas do mundo, quando as plantas começavam a reverdecer e as flores perfumarem ao vento, o sol dando energia à vida. Os sonhos da liberdade chegavam com suas angustias, e o medo do caminho voltava a aniquilar-me, olhava a imensidão a minha frente: não tinha dado nenhum passo, não havia descido nenhum degrau à frente da porta, não conhecia a emoção do começo, apenas escravo e servidor do cotidiano do mundo com suas fronteiras. Buscava segurança em vez de coragem...

Continuarei assim esperando? E a vida é como as vagas do mar revolto sacodem o barquinho, leva para cima e de repente despenca das alturas, é uma montanha russa desgovernada... Meu Deus! São coisas que não tenho controle? Ora, Ora!!! Mas ela está em minhas mãos e sou seu timoneiro... Então porque não seguro com força e coragem, preciso dela para travessia...

Reúno todas as forças... À frente no horizonte, o "palácio encantando" não está tão longe assim...

Percebi que alguns medos já não os tenho mais: pois já tinha vencido boa parte deste longo caminho, deixei para trás os pântanos, as pedras, as pontes, e de longe olho as relíquias do passado que são tesouros bem guardados num cofre sem segredos, no entanto continua com a porta fechada e estão escondidos pela superficialidade que encobre a sabedoria que se manifesta tímida, com medo das incredulidades...

Para quem quer chegar não deve desconhecer que as trilhas das conquistas não são caminhos retos, mas livres de todos os medos...

"É só imitar os cavalos que correm soltos pelos campos, sem imaginar que possa existir cercas, fronteiras e rédeas, mas que naquele momento o resto do mundo não existe, apenas a alegria de correr solto para a liberdade..."




Espíritos Evoluídos

Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos.


Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.
Um dos garotos tropeçou no asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro.
Diminuíram o passo e olharam para trás. Então viraram e voltaram...

Todos voltaram…


Uma das meninas com Síndrome de Down ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse:
- Pronto, agora vai sarar!
E todos os noves competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada.
O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos...
Talvez os atletas fossem deficientes mentais...
Mas com certeza, não eram deficientes espirituais...


"Isso porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique ter que diminuir os nossos passos..."


“Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso"..


O SUCESSO É CONSEQÜÊNCIA.
"A bondade é a semente e o amor é o fruto"


(AUTOR DESCONHECIDO. )

O DIREITO AO DELÍRIO




Eduardo Galeano


Para que serve a Utopia?

A utopia está no horizonte.

Eu sei muito bem que nunca a alcançarei, que se eu ando dez passos ela se distanciará dez passos.
 Quanto mais a procure, menos a encontrarei, porque ela vai se distanciando quando mais me aproximo.
 Pois a utopia serve para isso, para CAMINHAR.

“Se não nos deixais sonhar, não os deixaremos dormir”.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Almas Perfumadas

Almas Perfumadas (Carlos Drummond de Andrade)


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente
no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas, a gente se sente
comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água
é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e
que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente
se sente chegando em casa
e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o
gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece
manhã de Natal do tempo em que
a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu e daquelas
que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que
o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente
visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia
do toque suave que sua presença sopra
no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que
a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e
que a atração que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no
instante em que rimos, Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Tem gente como você que nem percebe como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.

domingo, 4 de setembro de 2011

Se os Tubarões Fossem Homens- Por Bertold Brecht

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.


Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.


Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.


Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.


Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.


Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.


Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.


Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.


Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.


As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.


Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos


Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.


Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.


Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.


A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .


Também haveria uma religião ali.


Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.


Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.


Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.


Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.



Sobre o(a) autor(a):
Bertold Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo. Escritor e dramaturgo alemão, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social. Foi perseguido pelos nazistas pelo seu comunismo militante.

Clique e pesquise:BERTOLT BRECHT


 

Os Cães Lambem os seus companheiros quando morrem... Por Rivaldo R.Ribeiro

Ainda é criança, mas já trabalha e se esgota ao ponto de seu corpo tomado de estafa adormecer num sono de desmaio.

Sua alimentação é sempre com muitas calorias, pois dessa forma suporta as exigências dos patrões no dia a dia, tem que cumprir suas tarefas com destreza e rapidez, para se livrar do incômodo estigma que acompanha a maioria das pessoas da sua classe social: a preguiça.


Cresce longe das características de uma jovem bonita, seu corpo é disforme pela robustez dos músculos e gordura que se formou ao longo da vida, tímida vê o mundo conformada, foi o que a vida lhe deu: trabalho e uma grande fé em Deus.

Agora adulta o seu coração já havia reclamado várias vezes, ameaçou com uma greve, bateu forte num repique de tamborim, gritou como uma cuíca, o levaram para uma revisão: o diagnóstico seria descanso, novo ritmo de vida, novos alimentos deveriam passar por suas artérias.

Assim ele foi no compasso do toque do surdo, era o puxador dos outros órgãos de um corpo já cansado, todos dependiam dele, muita responsabilidade para quem nunca tinha dado muita atenção...


Um dia dentro de um centro de saúde ele resolve dar o último aviso, é um coração brasileiro: foi feito para ter paciência.

Bate forte novamente, altera a pressão, prende o oxigênio, os outros órgãos protestam, causa um desarranjo no organismo e desequilibra todo o metabolismo, ele pede por socorro: A mulher tímida tenta respirar, geme, apresenta vômitos...

Os profissionais da saúde ignoram a gravidade daquele momento e aplicam passivos os primeiros socorros de rotina: eles não souberam identificar que aquele coração se rebelava e o corpo começa a desfalecer, outra paciente da sala de espera alerta desesperada para a gravidade do caso, as enfermeiras e o médico de plantão intensificam atendimento, mais é tarde demais...


Isso é um caso entre tantos que nos leva a refletir sobre a Saúde no Brasil, um momento crítico e triste que poderá ocorrer conosco, com alguém que amamos ou com outro ser humano.


Para refletir: os cães lambem os seus companheiros quando morrem. ..

O MEU AMIGO OSCAR.Por Rivaldo Roberto Ribeiro

Eu tenho um amigo, o Oscar, nunca poderia deixar de escrever sobre ele. É uma pessoa simples, a sua vidinha se resume em andar pelas ruas com sua bengala, receber a aposentadoria, e sorrir por qualquer coisa...


Eu tenho a honra da sua visita todas as manhãs no meu trabalho, na hora certinha o Oscar aparece,e com o polegar ele faz sinal de positivo. Por causa das dificuldades com a fala, pronuncia alguma coisa que às vezes não compreendo, mas damos nossas risadas juntos, eu o considero um dos meus melhores e verdadeiros amigo.


Outro dia ele mostrou um sapato novo que havia comprado, estava muito feliz por isso...


Depois de contar um pouquinho sobre a sua vida, ele se despede dizendo: falou!... E vai embora... Como se tivesse cumprido uma tarefa.


Ele Fica feliz por me ver... Outro dia eu sai de férias... O pessoal disse que quase todos os dias ele perguntava o dia da minha volta..


Pois é, com sua limitação mental e física, ele se mostra feliz, digno, e fiel as suas amizades.


Nós que nos julgamos inteligentes, conhecemos as coisas do mundo, os perigos, vaidades, orgulho, disputas por uma cadeira... Por uma cadeira! Aquelas cadeiras que tem o poder de transformar uma pessoa honesta em... Vocês sabem! Somos felizes?


Quem sabe se fossemos um pouquinho igual ao Oscar, mais humanos como ele, nos faria muito bem...


Infelizmente o seu problema de saúde piorou, suas pernas estão fracas, com desgastes nos joelhos e nos quadris, agora caminha com a ajuda de um andador, imaginem mesmo assim apareceu feliz para mostrar a mim o novo aparelho, disse que seu médico o instruiu a ficar em casa, mas ele se recusa alegando que dessa forma a doença avança.


Se um dia ele não conseguir mais andar... vai chegar a minha vez de visitá-lo... Isso se meu egoísmo não falar mais alto!