domingo, 4 de setembro de 2011

Os Cães Lambem os seus companheiros quando morrem... Por Rivaldo R.Ribeiro

Ainda é criança, mas já trabalha e se esgota ao ponto de seu corpo tomado de estafa adormecer num sono de desmaio.

Sua alimentação é sempre com muitas calorias, pois dessa forma suporta as exigências dos patrões no dia a dia, tem que cumprir suas tarefas com destreza e rapidez, para se livrar do incômodo estigma que acompanha a maioria das pessoas da sua classe social: a preguiça.


Cresce longe das características de uma jovem bonita, seu corpo é disforme pela robustez dos músculos e gordura que se formou ao longo da vida, tímida vê o mundo conformada, foi o que a vida lhe deu: trabalho e uma grande fé em Deus.

Agora adulta o seu coração já havia reclamado várias vezes, ameaçou com uma greve, bateu forte num repique de tamborim, gritou como uma cuíca, o levaram para uma revisão: o diagnóstico seria descanso, novo ritmo de vida, novos alimentos deveriam passar por suas artérias.

Assim ele foi no compasso do toque do surdo, era o puxador dos outros órgãos de um corpo já cansado, todos dependiam dele, muita responsabilidade para quem nunca tinha dado muita atenção...


Um dia dentro de um centro de saúde ele resolve dar o último aviso, é um coração brasileiro: foi feito para ter paciência.

Bate forte novamente, altera a pressão, prende o oxigênio, os outros órgãos protestam, causa um desarranjo no organismo e desequilibra todo o metabolismo, ele pede por socorro: A mulher tímida tenta respirar, geme, apresenta vômitos...

Os profissionais da saúde ignoram a gravidade daquele momento e aplicam passivos os primeiros socorros de rotina: eles não souberam identificar que aquele coração se rebelava e o corpo começa a desfalecer, outra paciente da sala de espera alerta desesperada para a gravidade do caso, as enfermeiras e o médico de plantão intensificam atendimento, mais é tarde demais...


Isso é um caso entre tantos que nos leva a refletir sobre a Saúde no Brasil, um momento crítico e triste que poderá ocorrer conosco, com alguém que amamos ou com outro ser humano.


Para refletir: os cães lambem os seus companheiros quando morrem. ..

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