segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um caso de Trânsito



"A pequena história que conto abaixo pode ser trágica, de impacto, porem é uma forma que encontrei para alertar sobre o perigo do trânsito, que nesta semana eu presenciei por duas vezes perigo real de atropelamento de crianças que vinham das escolas, que por uma Providência Divina não ocorreu, evidentemente escolhi os nomes das personagens não convencionais".

A jovem Ostra e um rapaz que se chamava Mar se amavam muito, começaram seu namoro com muitos sonhos, planejavam isto e aquilo, uma casa que fosse pequena, mas confortável, juntaram suas economias e os restantes preitearam o financiamento na Caixa, se sujeitaram a alguns anos de sacrifícios e assim conseguiram quitar sua casa, agora prontos para o casamento, a felicidade era total, o mundo girava em torno deles, assim planejavam a vinda do primeiro filho....

A jovem Ostra então ficou grávida , foram nove meses de expectativas e preparativos: o berço bem decorado a espera do filhote, a pintura nova do quarto etc. Depois da barriga enorme, mal estar natural das gestantes... O nascimento foi lindo, nasceu uma criança que trazia luz para aquela pequena casa, e resolveram dar-lhe o nome de Pérola.

Passaram-se alguns anos, depois dos primeiros passinhos, primeiro tombos, agora tinha que ir para escola, os pais com orçamento apertado ficavam o dia todo fora trabalhando, então Pérola aos cuidados da avó aposentada, tomava seu banho seu café e ia à escola. Dona Ostra sempre aconselhava a pequena Pérola dos perigos das ruas, se pudesse a levava a escola mas tinha que trabalhar, não podia atrasar o chefe não entenderia.

Nos primeiros anos a avó de Pérola procurou leva-la, mas uma artrite a impediu que continuasse nesta amorosa tarefa, e acreditando que Pérola agora saberia conduzir-se nas ruas, ela tinha que encarar os veículos como inimigos fatais.

Mas como toda criança a distração faz parte de seu comportamento infantil, um dia Pérola distraída atravessou correndo sem olhar, não era uma rua perigosa, ali não havia necessidade de altas velocidades, contudo a correria dos que perseguem o inútil não notou a pequena criança, seu corpo foi arremessado ao solo... ferida não conseguia mover-se... ao redor curiosos olhavam aquela situação trágica... o motorista assustado ou covarde evadiu-se... a pequena ali no asfalto quente esperava socorro, uns lamentavam com pena, outros não sabiam o que dizer, outros diziam palavras de ofensas a estes malucos do transito, enquanto isso Dona Ostra e Sr. Mar trabalhavam duro na esperança duma vida melhor a Pérola: melhores estudos, para que quando adulta não sofreria tanto, e sonhavam com uma família que pudesse se reunir com mais freqüência, pois sentiam muitas saudades de Pérola.

Naquele instante o Chefe aproximou-se de Dona Ostra, agora amável, bem educado, um amor de pessoa! pois tinha que dar a terrível noticia...

No hospital Dona Ostra e o marido num canto calado com o desespero contido pela fé, lagrimam os olhos, sentiam-se sozinhos e desamparados, os sonhos estariam perdidos? Esperavam o pior..as horas eram de angustias terríveis, mas quem tinha o nome de Pérola tinha que brilhar.

As enfermeiras e os médicos corriam pra cá e para lá, e os dois ali quietinhos não tinham coragem de perguntar sobre a pequena criança, pois tinha receio do pior, atravessou-se à noite, já de manhãzinha Dona Ostra num cochilo rápido sonhou com um "anjo" que se aproximava e tinha nas suas vestes brancas um brilho intenso, acordou de repente e viu diante de si a pequena Pérola de mão dada com uma enfermeira: tinha curativos, uns pequenos corte na testa, nada mais...

"Não poderia permitir que nada de ruim acontecesse a esta personagem, mas o nosso trânsito corre este risco, pensem nisso, qualquer um de nós pode destruir um sonho, não devemos encarar os pedestres, crianças ou velhos, como se não fossem ninguém, como se não fossem amados por Deus, pelos parentes, pelos vizinhos, por todos que os conhecem, como se não sentissem as terríveis dores dos traumas de um acidente, e ai??".




O MENINO E OS GIBIS(Conto de Natal)


As sacolas estavam carregadas de compras, no trânsito os motoristas buzinavam sem parar, os estacionamentos estavam lotados como se não houvesse espaço para mais ninguém, mesmo assim como milagre tudo se movia, as lojas vendiam, as pessoas compravam, o mundo girava.
No meio disso tudo um homem caminhava preocupado com o pouco dinheiro que tinha nos bolsos, onde poderia encontrar algo para presentear seu pequeno filho?
As lojas eram grande demais, o que ele iria fazer dentro dumas delas? Entrou desconfiado que os outros estivessem desconfiando dele. Os vendedores olhavam para ele sem muita pretensão de alguma venda substancial, respondiam a alguma pergunta com aquele jeito despreocupado sem olhar no seu rosto. Enquanto isso outros clientes que denunciavam boas vendas eram imediatamente atendidos.

Em casa o menino sonhava com papai-noel, presentes, alegria, mas de vez em quando abaixava a cabecinha miúda, era pequeno ainda, mas ouvia e sentia as dificuldades diárias da família. Esse sonho de natal não podia pertencer a sua vidinha de bolinha de gude, figurinhas, e doces baratos que já estavam causando-lhe caries que no futuro seria outro problema, poderia ficar desdentado e desfigurando a sua aparência de um menino bonito e perfeito.

O homem cabisbaixo e com movimentos tímidos saiu da loja, deu uma ultima olhada nas vitrines e a mercadoria mais barata que ele viu estava muito acima dos seus 5,00 reais.
Introspectivo passava em frente de diversos bares e pensava: "a pinga é barata e afoga muitas mágoas do ano que estava no fim, dos favores que fez, do seu comportamento submisso e obediente, e o resultado foi terminar o ano com pouco dinheiro no bolso." E o menino da cabecinha miúda?Sonhava com o papai-noel. Empurrou a nota para o fundo do bolso como se a obrigasse a ficar bem longe de outro destino, continuou andando sem esperança de comprar o presentinho para seu filho.

O menino da cabecinha miúda sempre ficava com os joelhos esfolados ao se arrastar pelo chão brincando com as bolinhas de gude, era um craque nas vizinhanças e sempre tinha as bolinhas mais coloridas que pareciam verdadeiras jóias.

Na praça que o homem sempre atravessa para ir ao trabalho, quantas madrugadas frias, quantas nevoas úmidas, chuvosas, ou deliciosas nos dias calorentos do verão porque ali a brisa corria livre, passava pelos mendigos que dormiam despreocupados, e sempre imaginava qual a diferença de si e eles: são pobres, mas livres.

Naquele dia não tinha ânimo de voltar para casa e enquanto caminhava observava as novidades: eram tantas coisas que nos dias corridos não tinha prestado atenção uma delas foi uma banquinha de jornais e revistas.
Parou diante dela, olhou para o proprietário o homem olhou para ele, como sempre ele ficava desconfiado que desconfiassem dele, às vezes dava razões a eles, pois o mundo está cheio de malandros.

Mais adiante numa loja de eletrodomésticos as TVs mostravam todos os canais, noticias, filmes, novelas etc. Num dos canais apresentavam um telejornal e o apresentador dava conta que os deputados haviam aumentado seus salários em quase 91%. E ele trabalhava o mês inteiro, sem faltas, atrasos, obediente, fazia favores e o que recebia estava muito longe daqueles salários e levaria anos para tentar juntar apenas uma pequena parte daquelas, e nos dias de eleições ele chegou a ser importante, todos lembravam dele e dos seus companheiros, pobres como ele. Quantas promessas! Quantas soluções! Ele acreditava mais uma vez que tudo iria mudar, mas percebeu que tudo parecia que continuava no mesmo jeito: teria que ser obediente, fazer favores... Reclamar?Seria considerado criador de casos... Fazer o que? O mundo é assim mesmo, injusto. Conformado foi adiante...

Ali entre os seus devaneios sentiu um puxão forte nas suas calças, olhou e um garotinho lhe disse "moço tem R$1,00? Eu queria comprar uma revistinha de quadrinhos".
Naquele momento o homem descobriu o presente para o "cabecinha miúda", pois era dessa forma carinhosa que ele se referia ao seu pequeno filho, tinha R$ 5, 00 daria para comprar 5 revistinhas, iria escolher as melhores histórias, quem sabe não seria o ponto inicial para o futuro do seu filho, poderia despertar nele o gosto pela a leitura.

Voltou à banca de jornais e revistas desconfiando que desconfiassem dele, pois era a segunda vez que estava ali. Ao lado esquerdo havia diversas revistinhas amontoadas e o cartaz avisava R$ 1,00. O jornaleiro aproximou-se com um semblante preocupado: com as bochechas caídas, com cigarro no canto a boca, a testa franzida, passando a mão no nariz com se limpasse alguma coisa. Com certeza passava pela sua mente uma indagação, o que aquele homem pretendia? Assim o homem lhes disse:- "tenho R$ 5,00 e preciso comprar um presente de Natal para meu menino, vou levar cinco dessas revistinhas, por favor, ajuda-me na escolha?".

O jornaleiro comoveu-se com aquele pobre homem, indicou as melhores revistas infantis e de brinde deu-lhe um livro e mais 1 revista.

Próximo dali o menino da praça que havia pedido R$1,00 para comprar uma revista olhava para o homem e sorria, o homem se lembrou do seu desejo, desse modo iria presenteá-lo com a revistinha que ganhara de brinde, no entanto quando olhou de novo não havia mais ninguém, procurou pelas redondezas, perguntou a todos, e ninguém soube dizer quem era o menino...




domingo, 18 de novembro de 2012

Elvis Presley - My Way (Legendado)



My way é o título em inglês da canção "Comme L'habitude" de composição do músico francês Claude François.

Em 1971, Frank Sinatra fez a primeira versão da música em língua inglesa, que foi adaptada por Paul Anka, se tornando um dos seus maiores sucessos.

A primeira versão do single por parte do astro do rock, Elvis Presley, foi gravada em 1971. A performance do vídeo foi realizada durante o seu concerto no Hawaii, e a sua captação foi feita para a produção do álbum "Aloha from Hawaii".

Letra (inglês):
And now, the end is near;
And so I face the final curtain.
My friend, I'll say it clear,
I'll state my case, of which I'm certain.

I've lived a life that's full.
I've traveled each and every highway;
And more, much more than this,
I did it my way.

Regrets, I've had a few;
But then again, too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through without exemption.

I planned each charted course;
Each careful step along the byway,
And more, much more than this,
I did it my way.

Yes, there were times, I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew.
But through it all, when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall;
And did it my way.

I've loved, I've laughed and cried.
I've had my fill; my share of losing.
And now, as tears subside,
I find it all so amusing.

To think I did all that;
And may I say, not in a shy way,
No, oh no not me,
I did it my way.

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught.
To say the words he truly feels;
And not the words of one who kneels.
The record shows I took the blows
And did it my way!

OBS. Texto e vídeo fonte YouTube

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

TITANIC : Celine Dion - My Heart Will Go On (with dialogue from the film "Titanic")



PESQUISE:           TITANIC   

                                 Clique na foto para ampliar:

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Luzes da Ribalta - Charles Chaplin




Resumo da vida do adorável e eterno vagabundo Charles Chaplin, conhecido carinhosamente como Carlitos.


Música : Luzes da Ribalta

Compositor: Charles Chaplin  

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sociedade condenada...


“Quando notar que para produzir precisa de autorização daqueles que não produzem nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem não comercializa bens, mas apenas favores; quando perceber que muitos se tornam ricos através de suborno e por influência mais do que por trabalho, e que as leis não o protegem contra eles, antes pelo contrário, são eles que estão protegidos contra você; quando reparar que a corrupção é recompensada e a honradez se converte em um auto-sacrifício, então poderá afirmar, sem medo de equivocar-se, que sua sociedade está condenada.” Clique e pesquise: Ayn Rand

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"Esse pensamento de Ayn Rand me parece familiar, na minha reflexão retrata a sociedade brasileira.
Quanta luta é deflagrada por quem quer fazer cumprir as leis, mas da sociedade em que vive e da justiça não obtém respostas, fica sozinho, é considerado um criador de casos e não um cidadão...
Quanta luta é deflagrada quando a honestidade e honradez combatem a corrupção e o resultado é o seu esfacelamento, e os combatentes vencidos se arrastam estendendo a mão e não encontra um ponto sequer para reerguer-se.
Todos desviam seus olhares ou trocam de calçada para não cruzar com quem sonhou e ousou em lutar contra os que vampirizam a si a todos.
Se não mudar nossos caminhos a filósofa e escritora Ayn Rand falou do Brasil. " Rivaldo R.Ribeiro

Site: http://aynrand.com.br/







terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ar e água


Vivemos num mundo irreal, de faz de conta, uma história mal contada:- vão dizer os do futuro.

Quem chegar no futuro não irá acreditar no modo de vida que vivemos hoje, essa ponte que balança mas não cai, tempos que nos leva a imaginar que somos maiores do que o próprio Deus.

Os que sobreviverem a esse terremoto de maluquices terão compreendido que nossa existência se fundamenta apenas num detalhe respirar e beber água.

Deus é isso: grande por ser o ar e a água, portanto a vida.

O resto o homem inventou para torná-lo esse ser sem sentido, que gira em torno de si próprio e descobre que no final das contas a primeira coisa que pede quando se perde num deserto é ÁGUA.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CRÔNICA PARA SI MESMO




Percival De Brites Figueiredo

Olho no espelho a cara “dele”. É um saturado, não tenho dúvidas. Vejo fios brancos na cabeleira, camuflados com tintura. E fios brancos são sinais de fim-de-festa.

A vida, afinal de contas, é uma escalada. De cinco em cinco anos, um traço maior. Até o primeiro qüinquênio, o homem se adpta à vida, em luta violenta, porque não é fácil adaptar-se à vida. Até o segundo, aprender a ler. No terceiro, faz descobertas. No quarto, é adulto. E “ele”, em dezembro deste ano, atinge o novo traço grande da escala.

Olho a cara “dele”.

Há cansaço em seu rosto. É cansaço de muitas lutas, de muitos dissabores e muitas desesperanças. Mesmo assim, vejo em seus olhos vontade ser bom, ainda que os outros não queiram essa bondade e, por isso, teimam em não deixar que ela subsista.

O próprio Deus dividiu a espécie humana em raças. Cada uma tem sua cor, seu jeito de ser. No fundo, odeiam-se. Em consequência, instituíram-se fronteiras. Matam-se. Desumanizam-se. O ódio virou a mais potente instituição universal. Ser bom até parece que não vale a pena. Ser bom é um mal.

“Ele” pisou outros chãos. Viu outras caras de homens. Esteve em diversas prateleiras da existência. Teve e não teve teto. Já dormiu e já não pode dormir. Aí está seu cansaço. É testemunha eloquente de todas as vicissitudes. Aí estão seus olhos. Confirmam a vontade de ser bom.

Daqui alguns meses “ele” vai para 14º tracinho mais forte da escala. Fica bem um setentão mal humorado? A paisagem é serena, o céu azul, a vida, afinal, é bela. Como tal, um convite às coisas que não deixam remorso. Tudo é chamamento à concórdia, como mostram as mensagens aqui divulgadas. Cada janela mostra um sorriso de encantamento da paisagem, a despertar embevecimento. E o que é isso, senão a própria vida ensinando bondade?

Mas a lição fica e a caravana passa. Enfim, este homem que se olha no espelho, que vê seus olhos visionando amor, os fios brancos de fim-de-festa, que vê seu semblante que é cansaço – este homem se enternece. Confrange-se. Apieda-se do incompreendido que é. E escreve crônica para si mesmo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

"PEQUENA HISTÓRIA DUM IDOSO" por Rivaldo Roberto Ribeiro


Segunda-feira, o tempo está nublado e cinzento, parecia que não ia chover muito, mas caia uma garoa fria e intermitente. Depois de cumprir na vida com suas obrigações, caminhante deste mundo a tempos, Berto está sentado num banco daquele café, observando todos que passavam, via neles seu passado de sonhos, via neles uma indiferença egoísta cada um com a cobiça de alcançar fortunas e sucesso, que com certeza não chegarão a todos. Melancólico, só restava a saudade das crianças e da sua juventude...

Mas Berto sempre foi um homem que questionava a vida e seu sentido, assim resolve que seria um velho alegre e feliz. Tinha sabedoria, sabia contar muitas estórias para os netos, iria realizar algumas travessuras, pois a idade lhe permitia isso. Pegou o guarda-chuva e foi caminhando com cuidado lembrando das recomendações de sua esposa, "se quebrar algum osso, meu velho nessa idade é difícil de se ajeitar", pois a rua parecia lisa. Era a primeira Segunda - feira que não tinha para aonde ir... Voltou para casa.


A sua mão traduzia uma vida dura e honesta, com calos e cicatrizes, que atestavam os seus esforços na tentativa duma vida melhor a si e aos seus, hoje um sobrevivente herói na construção dum país que às vezes não o reconhece, ficar doente? O SUS assusta...

Sua mão deformada com nós nos dedos pelo esforço é comovente (...), quando ele com um gesto lento passou sobre a boca o polegar curvo, que tantas vezes usou como alicate, anos de arrebatamento e trabalho, do cansaço e por fim a sonolência da tarde.

Agora não se pode exigir do seu corpo a juventude, a sua coluna já curva e pouco móvel não sustenta o seu peso como antes. Seus olhos perdem o brilho e exige o auxílio das lentes. O ouvido perde a sua sensibilidade e a saliva diminui comprometendo a digestão. A musculatura enfraquece e diversos outros órgãos funcionam com mais dificuldades. A sua identidade se revela na sua pele mais escura e com as rugas, e seus cabelos brancos denunciam a sua sabedoria e o pecúlio do espírito humano.

Berto sempre fez das suas narrativas aos mais jovens como se estivesse pedindo perdão pela sua velhice. Contava sempre que ajudou a construir o hospital da cidade, o clube, a igreja, aquela ponte, a escola etc. Desconfiado da falta de crédito, afirmava que tinha fotografias, evitando assim a descrença ou o sarcasmo dos ouvintes.

Numa dessas reuniões familiares, Berto ouve da sala da frente que é bem pequena, sua esposa Dona Vitória, com sua voz doce e conciliadora sendo entrevistada pelos seus netos. Curiosos como todas as crianças, queriam saber sobre tudo. Dona Vitória com seu jeito envolvente, sua paciência, seu carinho maternal de vó, respondia a todas as perguntas que eram disparadas sem parar. No meio daquela balbúrdia, aproveitava a oportunidade para ressaltar seus exemplos quando menina: de obediência, seus valores morais e religiosos, o respeito que foi dispensado as seus pais e mestres, e principalmente aos mais velhos. Qualidades que hoje lhe rende um carinho especial da sociedade local.
Berto, com a vista turva descobria que o tédio das horas constantes terminara, e o sentido do resto da sua vida estava ali na sua frente..., Tinha uma família maravilhosa..., afastou-se com os passos lentos e macios, e começou a planejar a sua primeira travessura, iria encher algumas bexigas coloridas, comprar um saco de balas, convocar os netos e bagunçar a casa, e com isso já matutava alguma desculpa a um possível protesto de Dona Vitória...



segunda-feira, 23 de julho de 2012

A TECELÃ,


Clique nas imagens para ampliar.










A T E C E L Ã,Minha esposa
Rivaldo R. Ribeiro

Uma artista que não assina suas obras está sentada com um semblante de sonhos e sono tecendo na sala.
De forma improvisada com sua agulha como se fosse uma varinha de condão entrelaça os fios de algodão como se fossem fios de ouro, criando trabalhos em forma de folhas, flores, animais e formas geométricas que serão recompensados com pouca esperança de valores materiais, mas se sente feliz em ver a sua obra terminada, como toalhas, cortinas, tapetes, almofadas etc.
Na loja, o novelo de barbante inerte calado, não imagina no que será transformado quando desce das prateleiras e vai para as mãos da tecelã. Não será mais usado para amarrar pacotes, sabe-se lá com o que dentro. Será transformado na beleza, admirado, enfeitar os ambientes, preencher os vazios, com as formas que a tecelã já imagina em criar, que tantas vezes sem medir esforços acorda bem cedo quando o sol ainda se mexe devagar com o rosto no travesseiro, para que as suas inspirações cheguem mais nítidas, e às vezes sofre por não saberem reconhecer o seu esforço.

-Nossa mãe!...A primeira voz que a tecelã ouve, é sua filha que é já uma poderosa força vital feminina que acorda. Nossa mãe! Que lindo... Esse é nosso? A tecelã respondeu que sim... Porém...

Em tempos difíceis a tecelã recorre a força de suas orações e de porta em porta expõe seu trabalho da melhor forma possível, muitas vezes a olhos que nada vêem e não imaginam a profunda fé e esperança que ela depositou naquele trabalho, pois será impalpável esta fragrância divina, mas ela não desiste... Seu caminho é aquele... Logo a frente encontra olhos que enxergam claramente a autenticidade de sua criação...

De volta para casa, a amiga da vida duplica sua alegria com seu sorriso cativante, irá comprar outro novelo de barbante que será transformado em outra obra de arte, e salvo do destino de amarrar embrulhos e pacotes, mas agora é outro momento, deixa a agulha de lado que irá descansar de seu balé, assim volta para seus sonhos: preparar os filhos para irem a escola...

A tecelã não imagina que no seu modo simples e batalhador, é um molde para que seus filhos a seguem no exemplo na construção de seus próprios destinos, que é o fermento que transforma a sua família numa massa homogênea de amor, união e fraternidade, êxito que nasceu na qualidade de sua coragem.

Assim vejo minha esposa, que Deus um dia me deu de presente, acrescentando nossos dois filhos, e às vezes a incapacidade de entender o que realmente interessa reclamamos da vida...

Meu espírito se compraz de três coisas que têm a aprovação de Deus e dos homens:
A concórdia entre os irmãos, o amor dos próximos, e um marido e mulher que se dão bem entre si. Eclesiástico. 25,1-2.

"Jacira ou Fia como gosta de ser chamada, eu ti amo minha querida esposa."








Amigos-Vinicius de Moraes


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários.

De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, trêmulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando
comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

PESQUISE SOBRE: VINÍCIUS DE MORAES


 

domingo, 1 de julho de 2012

"ULTIMA FLOR DO LÁCIO"

"Ultima flor do Lácio", usa-se esta expressão para designar a língua portuguesa que teve a sua origem como a última das línguas derivadas do latim, sendo "Lácio" o nome da região da Itália onde fica Roma. Quem criou a expressão foi o poeta brasileiro Olavo Bilac no seu soneto LÍNGUA PORTUGUESA, no primeiro verso onde se lê "Última flor do Lácio, inculta e bela", inculta porque já naquele tempo sofria maus tratos, e continuava bela...

Num país gigante como o nosso, seu regionalismo, suas diferenças sociais levam a população a falar alguns dialetos, ou modificações na pronuncia na linguagem coloquial, tornando-se as palavras em seres vivos mutantes, como numa fluidez de água corrente, misturam-se idéias, confunde-se, tornando-se sua "foz" mais forte, mais sonora e dinâmica, criando assim a sua identidade própria.
A discriminação, preconceito, e menosprezo a alguém que fala com erros na pronuncia, não faz sentido, e chegam e ser cruéis, porque a culpa não lhes cabe e todos nós sabemos disso, mas mesmo assim nas suas colocações e a ignorância da sintaxe não quer dizer que não estão falando corretamente língua portuguesa, que na sua complexidade poderíamos cometer enganos ao apontar algum erro nesta linguagem, que possivelmente estariam corretos graças a muitas variantes regionais e dialetos, que são genuinamente populares dentro da cultura e já arraigados.

Assim justamente com capacidade de se eternizar, definindo a nossa brasilidade.

Exemplos como bravo e brabo, assobiar e assoviar; é um processo que já ocorria no Latim Vulgar e se transferiu para nossa língua, sendo ainda muito presente também no Norte de Portugal, onde se ouve, por exemplo, barrer onde diríamos varrer; nesta formação de derivados já existe sinais no Rio Grande do Sul entre bravo e brabo da adoção exclusiva de brabo, assim estas alternâncias de fonemas aparecem com frequência, entre muitos outros.

Portando estas variantes linguísticas, são típicas de determinadas comunidades, ou regiões, enriquecendo o patrimônio cultural da língua portuguesa, que desde a sua origem lá no Lácio até os dias de hoje houve modificações, palavras e fonemas que foram criados no seio da população, onde sentimos o pulsar da vida, a existência povo brasileiro, magnificamente retratada nas obras de João Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Ariano Vilar Suassuna, nas músicas raiz, literaturas de cordel, que são imortais etc.

Quem faz a língua são os falantes, os gramáticos apenas a estudam, se não fosse assim, ainda estaríamos falando a língua do tempo de Camões. Em verdade, nosso repúdio deveria estar na prática dos estrangeirismos, que é confundido com elegância e civilidade, num delírio passivo ao domínio estrangeiro, e na linguagem simplificada na internet, que amputam sem direito a prótese. Também a infiltração de outras culturas merece o nosso repúdio, como o dia das bruxas (halloween), pois ignora nosso rico folclore, enraizado nos mistérios das religiões africanas e outras que ajudaram a formar o caráter do verdadeiro povo brasileiro.

"Ah! Como gostaria deslizar sobre as palavras da nossa língua portuguesa, expor idéias, sentimentos, ser um transmissor das impressões dos personagens que por mim passam cada um com suas histórias, que sofrem calados num mundo coletivo e individualista, que só a iniquidade é levada a sério, e o amor confundido com a hipocrisia".

O motivo que escrevi este texto foi a discordância com algumas pessoas que no alto de seus pedestais, às vezes ridicularizam algum deslize no linguajar de alguém que não teve a mesma oportunidade de se aprimorar nos estudos, e ficaram pelas estradas da vida criando novos dialetos, novas palavras, enriquecendo a nossa língua BRASILEIRA, assim e a eles que devemos a nossa identidade Brasileira, e não a quem fica macaqueando os estrangeiros.

ATRAPALHAÇÕES E PREOCUPAÇÕES. (Rivaldo R.Ribeiro)

Ainda estou na cama e isto coloca a memória funcionando... Ou será que não foi? Eu sou hoje um homem tão cheio de dúvidas. Não sei mesmo se fechei as portas e com isso não consigo dormir, chego até a sentir um peso no meu coração. Eu preciso dormir. Vejamos: na porta da varanda, ao checar o trinco eu fiz ploc-ploc com a língua contra os lábios.

Mas algo me incomoda, minha mulher sempre deixa a luz ligada da varanda quando meu filho sai para as baladas, eu sempre desligo, umas vezes é de pirraça, outras vezes é por causa da conta de energia, outras vezes por distração, mas isso implica na segurança dele, assim é melhor! Olho o teto do quarto e viro para o canto, ouço os barulhos da noite, parece meu filho chegando, não é... calço as sandálias vou para a cozinha tomar um copo de água, vejo que a luz da varanda está desligada. Caminho  para o quarto para tentar dormir, mas a luz da varanda está desligada, e quando meu filho chegar? Alguém poderá esconder no escuro e agarra-lo de surpresa, volto e bato a mão no interruptor e ligo a luz da varanda, e volto para o quarto para dormir, minha esposa resmunga, e pergunta se desliguei a luz da varanda, e respondo que não desliguei e sim que liguei...

A noite vai passando e meu filho não chega do baile, já é muito tempo que a luz está ligada, fico preocupado com a conta de energia, fico preocupado com ele na rua até àquelas horas, fico preocupado com dia que ainda no chegou, porque ainda não consegui dormir.

Meu cachorro late estranho, nunca o ouvi latir daquela forma, acordei minha esposa, preocupado com o latido do cão, e ela disse que ele estava latindo como todos os dias, eu é que estava ficando doido- " fique quieto e dorme" , disse ela. E novamente perguntou se eu não havia desligado a luz, e se nosso filho não havia chegado?? Eu disse que não, uma resposta para as duas perguntas...

A minha memória começa já a trabalhar nas coisas do dia seguinte, ainda não consegui descansar, e amanha será um dia duro, de muito trabalho, tenho que fazer isto e aquilo, o escritório está uma bagunça, não fiz o relatório que o chefe pediu, haverá muitas entregas e tenho de preencher muitas notas fiscais, atender os pedidos, etc.
Levanto novamente, e lembro do trinco da porta da varanda, será que meu filho levou uma chave, contudo não lembro se tranquei a porta, e agora estou em duvidas se liguei ou desliguei a luz, fui até a varanda a luz estava desligada, e quando liguei novamente a luz notei que moto do meu filho estava lá no lugar dela, fui ao seu quarto e para minha surpresa ele também já estava dormindo, pelo jeito há tempos, pois já roncava com seu ronco jovem, ai descobri que minha memória me traia novamente, estava preocupado com o dia seguinte, mas tinha me esquecido que seria domingo.

Voltei ao quarto, larguei-me na cama, só confirmei a pergunta da minha esposa, sim o nosso filho chegou... e adormeci o resto da noite sem nenhuma possibilidade de sonhos...

PARA PENSAR UM POUQUINHO....

"O maior prazer de uma pessoa inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente."
Só de passagem...

Conta-se (no século passado) que um turista norte americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.

O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.

As únicas peças de mobília eram 'uma cama, uma mesa e um banco'.

- Onde estão os seus móveis? Perguntou o turista.
E o sábio bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:

- E onde estão os seus?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
- Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.


"A vida na Terra é somente uma passagem... No entanto, alguns vivem como
se fossem ficar aqui eternamente e se esquecem de ser felizes."


"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL... SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA."

A.D.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Última Flor



A 2ª guerra mundial, como toda a gente sabe, levou a civilização a desaparecer; cidades, vilas e aldeias desapareceram da terra; todos os bosques e todas as florestas foram destruídas; assim como todos os jardins e todas as obras de arte; os homens, as mulheres e as crianças tornaram-se seres inferiores aos animais mais ínfimos.
Desencorajados e desiludidos, os cães abandonaram os seus donos abatidos. Encorajados pela situação miserável dos antigos senhores da terra, os coelhos caíram sobre eles.

Os livros, a música e os quadros desapareceram da face da terra, e os seres humanos limitaram-se a ficar sentados sem nada fazer.

Passaram os anos. Até os poucos generais que restavam se esqueceram do que a última guerra tinha decidido. Os rapazes e as raparigas cresciam e olhavam uns para os outros sem interesse, porque o amor tinha desaparecido da face da terra.

Um dia, uma rapariguinha que nunca tinha visto uma flor, viu, por acaso, a última flor do mundo. E disse aos outros seres do mundo que a última flor do mundo estava a morrer.

A única pessoa que lhe prestou atenção foi um rapazinho que ela encontrou a vadiar. Juntos, o rapaz e a rapariga trataram da flor e ela voltou a viver.

Um dia, uma abelha visitou a flor, e depois veio um passarinho. Em breve apareceram duas flores, depois quatro, e depois muitas flores. Os bosques e as florestas voltaram a florescer. A rapariguinha começou a interessar-se pelo seu aspecto. O rapazinho descobriu que era agradável a rapariguinha. E o amor voltou a nascer no mundo. Os filhos deles cresceram e eram fortes e saudáveis e aprenderam a correr e a rir. Os cães abandonaram o exílio. O rapaz descobriu que pondo as pedras umas sobre as outras, podia construir um abrigo. Em breve toda a gente começou a construir abrigos. Surgiram cidades, e vilas, e aldeias.

O mundo voltou a cantar. E tornaram a aparecer trovadores e malabaristas e alfaiates e sapateiros e pintores e poetas e escultores, e carpinteiros e soldados e soldados e soldados... e tenentes e capitães e generais e marechais e libertadores.

As pessoas foram viver para locais diferentes. Não levou muito tempo para que os que tinham ido para os vales desejassem ter ido viver para as montanhas. E os que tinham ido viver para as montanhas desejassem ter ido viver para os vales. E os libertadores, guiados por Deus, inflamaram os ânimos.

E voltou então outra vez a haver guerra no mundo. No mundo guerra, guerra, guerra, guerra...

Desta vez, a destruição foi total. A tal ponto que nada ficou no mundo a não ser um homem e uma mulher E UMA FLOR.


James Thurber, «Parábola em imagens»















Himno a la alegría- Musica: Ludwig von Beethoven




Uma bela canção de paz e beleza do nosso planeta ^ ^
"Minha serenidade é na mudança. Minha liberdade é viver no ritmo da natureza. Minha felicidade é viver a alegria de cada momento. Meu sucesso é manter-se firme e impessoal, é a minha sabedoria para distinguir o essencial do não- chave. " - ... "A minha serenidade é na mudança Minha liberdade é viver no ritmo da natureza Minha felicidade é viver a alegria de cada momento Meu sucesso é ficar forte e impessoal, a minha sabedoria é distinguir o essencial do não - essencial. "
Song: Hino à Alegria
Música: Ludwig von Beethoven
Artista: Jose Luis Rodriguez

Ouça, irmão, canção de alegria,
o cantar alegre de esperar por um novo dia.

Vem, cantar, cantar sonhos, vive sonhando o novo sol
quando os homens tornam-se irmãos novamente. **

Se o caminho não é só tristeza
e as lágrimas amargas de completa solidão.

Se você não encontrar a alegria nesta terra,
procurá-lo, irmão *, além das estrelas. Chorus.





terça-feira, 26 de junho de 2012

O Louco - Gibran Khalil


Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses ter nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.


A HISTORIA DOS PEIXINHOS.

A HISTORIA DOS PEIXINHOS.
(Baseado Se os Tubarões Fossem Homens-Bertold Brecht)

(Rivaldo R.Ribeiro.)

No mar os peixes grandes sempre devoram os peixes pequenos, se fosse ao contrário precisaria de apenas de um peixe grande para alimentar um cardume inteiro de peixinhos.

Assim um peixe grande resolveu engordar um cardume de peixinhos, mas até certo ponto, pois temia que eles crescessem e ficassem fortes e inteligentes.

Nesse meio tempo apareceram outros peixes grandes que queriam também devorar os peixinhos, assim resolveram dar grandes festas com muitas musicas para atrai-los, para que ficassem felizes e se esquecessem de suas necessidades, ou cairiam fácil nas goelas destes novos peixes grandes.

No meio disto tudo, todos os peixes grandes começaram a se atacarem numa disputa terrível pela dominação daquela parte do mar. Começaram a formar grupos, cada grupo tinha um peixe maior como líder.

Então os peixinhos ficaram assustados imaginando qual seria a hora de serem devorados, e por causa deste medo os peixinhos começaram criar e imaginar desconfianças entre eles, e com isso a brigarem também entre si e se entregando uns aos outros direto na goela do peixe grande.

Um peixinho mais esperto então resolveu fugir e procurar uma solução para que os peixes grandes parassem com aquela covardia de devorar os peixinhos. Ficou dias escondido no meio dos corais até que num momento viu uma baleia, ela poderia ser a salvação, pois era gigantesca e com aquele tamanho todo não conseguiria enxerga-los, além disso com certeza iria afugentar os outros peixes grandes, assim seriam protegidos.

Sua heroína com seu corpo fazia sombras no mar, assim os peixinhos disfarçados se escondiam dos outros peixes grandes, contudo o problema não estaria resolvido porque os peixes grandes resolveram dar uma trégua na suas disputas pois já estavam de olho na baleia, assim se uniram em conchavos achando um meio de tirar a baleia dali, ou uma forma de devora-la. Se isso acontecesse começaria tudo de novo, o peixinho mais esperto pensou... Pensou...
E achou a solução: se todos eles se unissem formariam uma grande mancha escura no mar, confundindo e amedrontando os peixes grandes que nunca se atreveriam a atacá-los, pois pensariam que fosse uma outra baleia. Assim os peixes grandes confusos foram embora dali...

Depois disto o peixinho mais esperto convocou todos para uma assembléia, para decidirem se queriam festas de algumas horas ou que solucionassem seus problemas e necessidades em definitivo.

A assembléia foi reunida com muitas discussões, ninguém se entendia, uns queria falar mais alto do que o outro, no meio daquela balburdia toda, o peixinho mais esperto que já não era mais tão peixinho assim, foi chamado por um peixe grande para um acordo, dariam a festa com o dinheiro dos próprios peixinhos sem que eles percebessem. Assim o peixinho mais esperto subiu em cima duma mesa e avisou a todos que seria dada a festa, a gritaria foi geral de apoio a medida.

Foi marcado o dia, fizeram propaganda nos corais, nas carcaças dos navios afundados, todos os peixes ficaram sabendo, os que ficavam protegidos ou não, o dia chegou, os artistas se apresentaram por umas duas horas ou mais, depois pegaram seu dinheiro e foram embora, deixaram o fundo mar com muita sujeira e coisas desarrumadas.

O outro dia chegou... E velha rotina começava tudo de novo, agora os peixinhos mais velhos e os doentes foram aos médicos, um tinha que tratar uma barbatana quebrada, outro uma dor de barriga, outro com o coração um pouco fraco, doenças de todos os tipos foram aparecendo, ai... Assim houve muitos atritos com os peixinhos que ali trabalhavam, que não tinham nada haver com isso, ou tinham? Que por sua vez começaram a culpar os peixes grandes pela falta de recursos.

_Os peixes grandes culpavam todo mundo, falta de recursos, leis a serem cumpridas, enquanto isso muitos peixinhos estavam morrendo ou sofrendo muito, a alegria da festa foi apagada pelas dores, pela fome, pela ignorância dos próprios peixinhos que não souberam compreender o funcionamento dos mares que pode trazer de tudo: desde tubarões a algas venenosas.


(Quando li o texto do Bertold Brecht não resisti escrevi esse texto  trazendo a nossa realidade, quase uma cópia. O que vem a traduzir que somos peixinhos a mercê dos tubarões...)







segunda-feira, 25 de junho de 2012

Como surgiu a expressão tchê!

Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos de Jesus. Todos na casa do sumo sacerdote reconheceram Pedro como discípulo de Jesus pelo seu Jeito "Galileu" de se expressar.
No Brasil também existem muitos regionalismos. Quem já não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?
Essa expressão, própria dos irmãos do sul, tem um significado muito curioso.
Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".
Há muitos anos, antes da descoberta do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.
Por essa razão, a linguagem falada no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade" e assim por diante.
Uma forma comum das pessoas se referirem a outra era usando interjeições também religiosas como: "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.
Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (se lê Tchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu. Eles usavam essa expressão para expressar espanto, admiração, susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também serviam dela para chamar pessoas ou animais.
Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos e uruguaios acabaram importando para a sua forma de falar.
Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo
alguém "do céu". Que bom seria se todos nos tratássemos assim. Considerando uns aos outros como gente do céu.
Um abraço aos meus Tchês!
Certa vez ouvindo um programa tradicionalista, que tem todos os domingos pela manhã na rádio Gaúcha (recomendo), ouvi um outro relato sobre a expressão Tchê: Segundo o narrador, a expressão Tchê pronunciada pelo Gaúcho é a maior e melhor expressão de carinho e admiração de um Gaúcho para com o seu semelhante. Seria o mesmo que tratar o outro como meu amigo ou meu irmão do coração!! Portanto quando te tratarem por Tchê não te sintas ofendido. Sinta-se extremamente prestigiado por quem te trata dessa forma!!


Obs. Eu recebi esse texto por email de uma amiga virtual de Porto Alegre:Marina Rivero, não citou o autor, assim que ela informar será apontado os autores.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

PAI...






Perdi meu pai há 47 anos, segui meu caminho sozinho, o mundo foi diferente e triste, os desafios foram mais severos, as descobertas mais doloridas, as distancias mais longas.

Quanta falta ele fez! Hoje vivendo o futuro resultado de todas as lutas, estou certo que venci sem grandes vitórias, mas venci...Pois os obstáculos foram difíceis e muitas vezes injustos...


sábado, 9 de junho de 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

"DE MÃOS DADAS"

Rivaldo R Ribeiro

Parece que foi ontem, nós ainda jovens sentimos num momento que era impossível um ficar sem o outro. Olhávamos a nossa frente: um longo caminho que teríamos que enfrentar. O casamento veio com uma linda esperança de felicidade, e atrás dos sonhos em comum seguimos em frente numa busca incessante.

Já se passaram curtos 30 anos de convivência, você soube compreender meus conflitos, aceitou-me do jeito que sou. Hoje olhando para trás, nossos dias, meses e anos foram belos porque foram vencidos, com certeza nossos elos foram feitos por Deus e com ajuda DELE superamos e superaremos tudo...

Você se tornou o esteio no nosso lar, uma mansão de oito cômodos. Sempre olha nossos filhos já adolescentes com a magia do seu amor, com um ritual sintonizado com sua fé, sua benção, sua energia amorosa, tornando-se uma mãe querida e protetora...

Quando eu estou errado, você mostra o certo.

Quando vacilo alheio as coisas, abre-me os olhos.

Quando me falta fé, você não deixa Deus esquecer de mim nas suas orações, que quantas vezes vi silenciosa de joelhos no nosso quarto pedindo a nossa proteção.

Sempre a meu lado transforma sonhos possíveis em realidade. Minhas asas são seu amor.

Me ajuda a ser bom. Me ensina a ser honesto.
Ao meu cansaço, a minha fadiga, o seu aceno renovador.
A meu nervosismo a sua calma.
As minhas angustias, o seu ouvido.
A minhas idéias tristes e deprimentes, seu sentimento positivo.
Quando a luz do dia chega é a primeira voz que ouço.

Hoje, olhamos para nossos filhos, pedindo as bênçãos de Deus para que encontrem nos seus caminhos alguém que também de mãos dadas com eles, os compreende e os amem, caminhem para o futuro e lá cheguem como nós felizes.
É certo que ainda temos muito caminho a nossa frente, agora juntos com eles, a família maior, o amor maior, as esperanças maiores, assim olhamos à frente num ponto qualquer no futuro, e juntos procuraremos nos nossos instantes perdidos que durante a nossa vida por inexperiência deixaram de ser aproveitados, que agora iremos ensinar a eles.

Essa crônica eu escrevi em 2008...

Em 2012:
O tempo andou, a vida mudou, agora entre nós Deus colocou uma nora e uma neta linda, duas pessoas que vieram acrescentar e nos dizer que nossa vida está valendo a pena...  

Uma homenagem a minha esposa, e mãe querida, JACIRA (FIA).





Os Cães Lambem os seus companheiros quando morrem...

(Rivaldo R.Ribeiro-José Bonifácio-SP)

Ainda é criança, mas já trabalha muito e se esgota ao ponto de seu corpo tomado de estafa adormecer num sono de desmaio.
Sua alimentação é sempre de muitas calorias, pois dessa forma suporta as exigências dos patrões no dia a dia, tem que cumprir suas tarefas com destrezas e rapidez, para se livrar do incômodo estigma que acompanha a maioria das pessoas da sua classe social: a preguiça.

Cresce longe das características de uma jovem bonita, seu corpo é disforme pela robustez dos músculos e gordura que se formou ao longo da vida, tímida vê o mundo conformada, foi o que a vida lhe deu: trabalho e uma grande fé em Deus.

Agora adulta o seu coração já havia reclamado várias vezes, ameaçou com uma greve, bateu forte muitas vezes num repique de tamborim, gritou como uma cuíca, o levaram para uma revisão: o diagnóstico seria descanso, novo ritmo de vida, novos alimentos deveriam passar por suas artérias. Assim ele foi no compasso de um toque de surdo, era o puxador dos outros órgãos de um corpo, todos dependiam dele, muita responsabilidade para quem nunca tinha dado muita atenção...

Um dia dentro de um centro de saúde ele resolve dar o último aviso, é um coração brasileiro: foi feito para ter paciência.

Bate forte novamente, altera a pressão, prende o oxigênio, os outros órgãos protestam, causa um desarranjo no organismo e desequilibra todo o metabolismo, ele pede por socorro: A mulher tímida tenta respirar, geme, apresenta vômitos...os profissionais da saúde ignoram a gravidade daquele momento e aplicam passivos os primeiros socorros de rotina: eles não souberam identificar que aquele coração se rebelava...

Quando repentinamente o corpo daquela mulher brasileira começa a desfalecer, alguem na sala de espera percebe e alerta desesperada para a gravidade do caso, as enfermeiras e o médico de plantão intensificam atendimento, mais é tarde demais...

Isso é um caso entre tantos que nos leva a refletir sobre a Saúde no Brasil, um momento crítico e triste que poderá ocorrer conosco ou com alguém que amamos...

Reflexão: os animais lambem os seus companheiros quando morrem. ..



domingo, 6 de maio de 2012

Há de se supor por Thales Pereira

Há de se supor


De tudo que se vê,
Há de se supor,
Não existe água pura
Para a eterna flor!
Nem fonte que cura,
Nem quem conte nos dedos
Os medos de anteontem.
Nem quem aponte a paz sem inquietude.
Nem mesmo o tempo traz
No vento, novas atitudes.
Não existe passos nem compassos nesta dança.
Ou será que lá no fundo triste,
Num cantinho,
De uma tela ainda vive,
Um restolhinho de esperança?
Há de se supor que sim,
Há de se supor que não,
Aquilo que vai
No desacorçoado coração.


Thales Pereira







segunda-feira, 30 de abril de 2012

HISTÓRIAS DE UM VIDA NOVA (SUPERAÇÃO)

Na coluna à direita você encontra vídeos de uma história de superação de uma mulher chamada Karina Aparecida Macri Martins. Que depois de sofrer um grave acidente de carro ficou paraplégica, mas sua força de vontade e muita Fé em Deus a está ajudando na recuperação e quase chegando na reta final de conseguir andar novamente...

Acesse o link "História de uma vida nova" na seção DESTAQUES  no topo das postagens...

Ou clique no link:
http://montanhas-azuis-777.blogspot.com.br/p/historias-de-uma-vida-nova.html




Local da Foto beraka-07/07/2002   São josé do rio preto - SP



Descrição:
Tiramos essa foto com o padre Fabio após o término da Missa de abertura do BERAKÁ. Eu e meu esposo Alessandro fizemos a oração da assembléia e no final, fizemos uma oração em agradecimento a vida do padre. Essa noite foi uma bênção...a missa nos levou até o céu e o padre Fábio foi o condutor...Deus seja louvado.

Fonte: Site do Padre Fabio de Melo 



domingo, 29 de abril de 2012

Iolanda - Chico Burque e Simone

Uma das maiores canção de amor. Eternamente amor...
Amor, um sentimento forte que ultrapassa a razão e a vida ...



domingo, 22 de abril de 2012

Pra não dizer que não falei das flores - Geraldo Vandré (1968)





Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
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