sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Última Flor



A 2ª guerra mundial, como toda a gente sabe, levou a civilização a desaparecer; cidades, vilas e aldeias desapareceram da terra; todos os bosques e todas as florestas foram destruídas; assim como todos os jardins e todas as obras de arte; os homens, as mulheres e as crianças tornaram-se seres inferiores aos animais mais ínfimos.
Desencorajados e desiludidos, os cães abandonaram os seus donos abatidos. Encorajados pela situação miserável dos antigos senhores da terra, os coelhos caíram sobre eles.

Os livros, a música e os quadros desapareceram da face da terra, e os seres humanos limitaram-se a ficar sentados sem nada fazer.

Passaram os anos. Até os poucos generais que restavam se esqueceram do que a última guerra tinha decidido. Os rapazes e as raparigas cresciam e olhavam uns para os outros sem interesse, porque o amor tinha desaparecido da face da terra.

Um dia, uma rapariguinha que nunca tinha visto uma flor, viu, por acaso, a última flor do mundo. E disse aos outros seres do mundo que a última flor do mundo estava a morrer.

A única pessoa que lhe prestou atenção foi um rapazinho que ela encontrou a vadiar. Juntos, o rapaz e a rapariga trataram da flor e ela voltou a viver.

Um dia, uma abelha visitou a flor, e depois veio um passarinho. Em breve apareceram duas flores, depois quatro, e depois muitas flores. Os bosques e as florestas voltaram a florescer. A rapariguinha começou a interessar-se pelo seu aspecto. O rapazinho descobriu que era agradável a rapariguinha. E o amor voltou a nascer no mundo. Os filhos deles cresceram e eram fortes e saudáveis e aprenderam a correr e a rir. Os cães abandonaram o exílio. O rapaz descobriu que pondo as pedras umas sobre as outras, podia construir um abrigo. Em breve toda a gente começou a construir abrigos. Surgiram cidades, e vilas, e aldeias.

O mundo voltou a cantar. E tornaram a aparecer trovadores e malabaristas e alfaiates e sapateiros e pintores e poetas e escultores, e carpinteiros e soldados e soldados e soldados... e tenentes e capitães e generais e marechais e libertadores.

As pessoas foram viver para locais diferentes. Não levou muito tempo para que os que tinham ido para os vales desejassem ter ido viver para as montanhas. E os que tinham ido viver para as montanhas desejassem ter ido viver para os vales. E os libertadores, guiados por Deus, inflamaram os ânimos.

E voltou então outra vez a haver guerra no mundo. No mundo guerra, guerra, guerra, guerra...

Desta vez, a destruição foi total. A tal ponto que nada ficou no mundo a não ser um homem e uma mulher E UMA FLOR.


James Thurber, «Parábola em imagens»















Himno a la alegría- Musica: Ludwig von Beethoven




Uma bela canção de paz e beleza do nosso planeta ^ ^
"Minha serenidade é na mudança. Minha liberdade é viver no ritmo da natureza. Minha felicidade é viver a alegria de cada momento. Meu sucesso é manter-se firme e impessoal, é a minha sabedoria para distinguir o essencial do não- chave. " - ... "A minha serenidade é na mudança Minha liberdade é viver no ritmo da natureza Minha felicidade é viver a alegria de cada momento Meu sucesso é ficar forte e impessoal, a minha sabedoria é distinguir o essencial do não - essencial. "
Song: Hino à Alegria
Música: Ludwig von Beethoven
Artista: Jose Luis Rodriguez

Ouça, irmão, canção de alegria,
o cantar alegre de esperar por um novo dia.

Vem, cantar, cantar sonhos, vive sonhando o novo sol
quando os homens tornam-se irmãos novamente. **

Se o caminho não é só tristeza
e as lágrimas amargas de completa solidão.

Se você não encontrar a alegria nesta terra,
procurá-lo, irmão *, além das estrelas. Chorus.





terça-feira, 26 de junho de 2012

O Louco - Gibran Khalil


Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses ter nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.


A HISTORIA DOS PEIXINHOS.

A HISTORIA DOS PEIXINHOS.
(Baseado Se os Tubarões Fossem Homens-Bertold Brecht)

(Rivaldo R.Ribeiro.)

No mar os peixes grandes sempre devoram os peixes pequenos, se fosse ao contrário precisaria de apenas de um peixe grande para alimentar um cardume inteiro de peixinhos.

Assim um peixe grande resolveu engordar um cardume de peixinhos, mas até certo ponto, pois temia que eles crescessem e ficassem fortes e inteligentes.

Nesse meio tempo apareceram outros peixes grandes que queriam também devorar os peixinhos, assim resolveram dar grandes festas com muitas musicas para atrai-los, para que ficassem felizes e se esquecessem de suas necessidades, ou cairiam fácil nas goelas destes novos peixes grandes.

No meio disto tudo, todos os peixes grandes começaram a se atacarem numa disputa terrível pela dominação daquela parte do mar. Começaram a formar grupos, cada grupo tinha um peixe maior como líder.

Então os peixinhos ficaram assustados imaginando qual seria a hora de serem devorados, e por causa deste medo os peixinhos começaram criar e imaginar desconfianças entre eles, e com isso a brigarem também entre si e se entregando uns aos outros direto na goela do peixe grande.

Um peixinho mais esperto então resolveu fugir e procurar uma solução para que os peixes grandes parassem com aquela covardia de devorar os peixinhos. Ficou dias escondido no meio dos corais até que num momento viu uma baleia, ela poderia ser a salvação, pois era gigantesca e com aquele tamanho todo não conseguiria enxerga-los, além disso com certeza iria afugentar os outros peixes grandes, assim seriam protegidos.

Sua heroína com seu corpo fazia sombras no mar, assim os peixinhos disfarçados se escondiam dos outros peixes grandes, contudo o problema não estaria resolvido porque os peixes grandes resolveram dar uma trégua na suas disputas pois já estavam de olho na baleia, assim se uniram em conchavos achando um meio de tirar a baleia dali, ou uma forma de devora-la. Se isso acontecesse começaria tudo de novo, o peixinho mais esperto pensou... Pensou...
E achou a solução: se todos eles se unissem formariam uma grande mancha escura no mar, confundindo e amedrontando os peixes grandes que nunca se atreveriam a atacá-los, pois pensariam que fosse uma outra baleia. Assim os peixes grandes confusos foram embora dali...

Depois disto o peixinho mais esperto convocou todos para uma assembléia, para decidirem se queriam festas de algumas horas ou que solucionassem seus problemas e necessidades em definitivo.

A assembléia foi reunida com muitas discussões, ninguém se entendia, uns queria falar mais alto do que o outro, no meio daquela balburdia toda, o peixinho mais esperto que já não era mais tão peixinho assim, foi chamado por um peixe grande para um acordo, dariam a festa com o dinheiro dos próprios peixinhos sem que eles percebessem. Assim o peixinho mais esperto subiu em cima duma mesa e avisou a todos que seria dada a festa, a gritaria foi geral de apoio a medida.

Foi marcado o dia, fizeram propaganda nos corais, nas carcaças dos navios afundados, todos os peixes ficaram sabendo, os que ficavam protegidos ou não, o dia chegou, os artistas se apresentaram por umas duas horas ou mais, depois pegaram seu dinheiro e foram embora, deixaram o fundo mar com muita sujeira e coisas desarrumadas.

O outro dia chegou... E velha rotina começava tudo de novo, agora os peixinhos mais velhos e os doentes foram aos médicos, um tinha que tratar uma barbatana quebrada, outro uma dor de barriga, outro com o coração um pouco fraco, doenças de todos os tipos foram aparecendo, ai... Assim houve muitos atritos com os peixinhos que ali trabalhavam, que não tinham nada haver com isso, ou tinham? Que por sua vez começaram a culpar os peixes grandes pela falta de recursos.

_Os peixes grandes culpavam todo mundo, falta de recursos, leis a serem cumpridas, enquanto isso muitos peixinhos estavam morrendo ou sofrendo muito, a alegria da festa foi apagada pelas dores, pela fome, pela ignorância dos próprios peixinhos que não souberam compreender o funcionamento dos mares que pode trazer de tudo: desde tubarões a algas venenosas.


(Quando li o texto do Bertold Brecht não resisti escrevi esse texto  trazendo a nossa realidade, quase uma cópia. O que vem a traduzir que somos peixinhos a mercê dos tubarões...)







segunda-feira, 25 de junho de 2012

Como surgiu a expressão tchê!

Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos de Jesus. Todos na casa do sumo sacerdote reconheceram Pedro como discípulo de Jesus pelo seu Jeito "Galileu" de se expressar.
No Brasil também existem muitos regionalismos. Quem já não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?
Essa expressão, própria dos irmãos do sul, tem um significado muito curioso.
Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".
Há muitos anos, antes da descoberta do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.
Por essa razão, a linguagem falada no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade" e assim por diante.
Uma forma comum das pessoas se referirem a outra era usando interjeições também religiosas como: "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.
Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (se lê Tchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu. Eles usavam essa expressão para expressar espanto, admiração, susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também serviam dela para chamar pessoas ou animais.
Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos e uruguaios acabaram importando para a sua forma de falar.
Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo
alguém "do céu". Que bom seria se todos nos tratássemos assim. Considerando uns aos outros como gente do céu.
Um abraço aos meus Tchês!
Certa vez ouvindo um programa tradicionalista, que tem todos os domingos pela manhã na rádio Gaúcha (recomendo), ouvi um outro relato sobre a expressão Tchê: Segundo o narrador, a expressão Tchê pronunciada pelo Gaúcho é a maior e melhor expressão de carinho e admiração de um Gaúcho para com o seu semelhante. Seria o mesmo que tratar o outro como meu amigo ou meu irmão do coração!! Portanto quando te tratarem por Tchê não te sintas ofendido. Sinta-se extremamente prestigiado por quem te trata dessa forma!!


Obs. Eu recebi esse texto por email de uma amiga virtual de Porto Alegre:Marina Rivero, não citou o autor, assim que ela informar será apontado os autores.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

PAI...






Perdi meu pai há 47 anos, segui meu caminho sozinho, o mundo foi diferente e triste, os desafios foram mais severos, as descobertas mais doloridas, as distancias mais longas.

Quanta falta ele fez! Hoje vivendo o futuro resultado de todas as lutas, estou certo que venci sem grandes vitórias, mas venci...Pois os obstáculos foram difíceis e muitas vezes injustos...


sábado, 9 de junho de 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

"DE MÃOS DADAS"

Rivaldo R Ribeiro

Parece que foi ontem, nós ainda jovens sentimos num momento que era impossível um ficar sem o outro. Olhávamos a nossa frente: um longo caminho que teríamos que enfrentar. O casamento veio com uma linda esperança de felicidade, e atrás dos sonhos em comum seguimos em frente numa busca incessante.

Já se passaram curtos 30 anos de convivência, você soube compreender meus conflitos, aceitou-me do jeito que sou. Hoje olhando para trás, nossos dias, meses e anos foram belos porque foram vencidos, com certeza nossos elos foram feitos por Deus e com ajuda DELE superamos e superaremos tudo...

Você se tornou o esteio no nosso lar, uma mansão de oito cômodos. Sempre olha nossos filhos já adolescentes com a magia do seu amor, com um ritual sintonizado com sua fé, sua benção, sua energia amorosa, tornando-se uma mãe querida e protetora...

Quando eu estou errado, você mostra o certo.

Quando vacilo alheio as coisas, abre-me os olhos.

Quando me falta fé, você não deixa Deus esquecer de mim nas suas orações, que quantas vezes vi silenciosa de joelhos no nosso quarto pedindo a nossa proteção.

Sempre a meu lado transforma sonhos possíveis em realidade. Minhas asas são seu amor.

Me ajuda a ser bom. Me ensina a ser honesto.
Ao meu cansaço, a minha fadiga, o seu aceno renovador.
A meu nervosismo a sua calma.
As minhas angustias, o seu ouvido.
A minhas idéias tristes e deprimentes, seu sentimento positivo.
Quando a luz do dia chega é a primeira voz que ouço.

Hoje, olhamos para nossos filhos, pedindo as bênçãos de Deus para que encontrem nos seus caminhos alguém que também de mãos dadas com eles, os compreende e os amem, caminhem para o futuro e lá cheguem como nós felizes.
É certo que ainda temos muito caminho a nossa frente, agora juntos com eles, a família maior, o amor maior, as esperanças maiores, assim olhamos à frente num ponto qualquer no futuro, e juntos procuraremos nos nossos instantes perdidos que durante a nossa vida por inexperiência deixaram de ser aproveitados, que agora iremos ensinar a eles.

Essa crônica eu escrevi em 2008...

Em 2012:
O tempo andou, a vida mudou, agora entre nós Deus colocou uma nora e uma neta linda, duas pessoas que vieram acrescentar e nos dizer que nossa vida está valendo a pena...  

Uma homenagem a minha esposa, e mãe querida, JACIRA (FIA).





Os Cães Lambem os seus companheiros quando morrem...

(Rivaldo R.Ribeiro-José Bonifácio-SP)

Ainda é criança, mas já trabalha muito e se esgota ao ponto de seu corpo tomado de estafa adormecer num sono de desmaio.
Sua alimentação é sempre de muitas calorias, pois dessa forma suporta as exigências dos patrões no dia a dia, tem que cumprir suas tarefas com destrezas e rapidez, para se livrar do incômodo estigma que acompanha a maioria das pessoas da sua classe social: a preguiça.

Cresce longe das características de uma jovem bonita, seu corpo é disforme pela robustez dos músculos e gordura que se formou ao longo da vida, tímida vê o mundo conformada, foi o que a vida lhe deu: trabalho e uma grande fé em Deus.

Agora adulta o seu coração já havia reclamado várias vezes, ameaçou com uma greve, bateu forte muitas vezes num repique de tamborim, gritou como uma cuíca, o levaram para uma revisão: o diagnóstico seria descanso, novo ritmo de vida, novos alimentos deveriam passar por suas artérias. Assim ele foi no compasso de um toque de surdo, era o puxador dos outros órgãos de um corpo, todos dependiam dele, muita responsabilidade para quem nunca tinha dado muita atenção...

Um dia dentro de um centro de saúde ele resolve dar o último aviso, é um coração brasileiro: foi feito para ter paciência.

Bate forte novamente, altera a pressão, prende o oxigênio, os outros órgãos protestam, causa um desarranjo no organismo e desequilibra todo o metabolismo, ele pede por socorro: A mulher tímida tenta respirar, geme, apresenta vômitos...os profissionais da saúde ignoram a gravidade daquele momento e aplicam passivos os primeiros socorros de rotina: eles não souberam identificar que aquele coração se rebelava...

Quando repentinamente o corpo daquela mulher brasileira começa a desfalecer, alguem na sala de espera percebe e alerta desesperada para a gravidade do caso, as enfermeiras e o médico de plantão intensificam atendimento, mais é tarde demais...

Isso é um caso entre tantos que nos leva a refletir sobre a Saúde no Brasil, um momento crítico e triste que poderá ocorrer conosco ou com alguém que amamos...

Reflexão: os animais lambem os seus companheiros quando morrem. ..