sábado, 17 de dezembro de 2016

Espiritualidade: A Lei da Motivação

José estava confuso. Ele havia lido na Bíblia e aprendido na igreja que é melhor dar que receber, mas descobriu que isso nem sempre é verdade. Muitas vezes, sentia que não era reconhecido por "tudo o que fazia". Queria que as pessoas tivessem mais consideração por seu tempo e energia. Porém, sempre que alguém queria que fizesse algo, ele fazia. Achava que isso era amor, e queria ser uma pessoa amável.
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Por fim, quando o cansaço e o estresse se transformaram em depressão, procurou-me para conversar. Quando perguntei qual era o problema, José disse que estava "amando demais".
- Como é possível "amar demais"? - Perguntei - Nunca ouvi nada parecido.
- Ah, é muito simples - respondeu. - Faço muito mais para as pessoas do que deveria. E isso me deixa bastante deprimido.
- Não sei bem o que você anda fazendo, mas com certeza isso não é amor. A Bíblia diz que o verdadeiro amor nos leva a um estado de graça e alegria. O amor traz felicidade, e não depressão. Se o seu amor o deprime, provavelmente não é amor.
- Não acredito que você possa me dizer uma coisa dessas. Faço tanta coisa para os outros. O que faço é me doar o tempo todo. Como você pode dizer que isso não é amor?
- Digo isso por causa do fruto de suas ações. Você deveria estar se sentindo feliz, confortavelmente em paz, e não deprimido. Por que você não me conta o que faz pelas pessoas?
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Depois de passarmos mais algum tempo juntos, José aprendeu que muitas de suas "ações" e sacrifícios não eram motivados pelo amor, mas pelo medo. Aprendera cedo na vida que, se não fizesse o que sua mãe queria, ela o privaria de seu amor. Por conseguinte, José aprendeu a dar com relutância. Sua motivação em dar não era amor, mas medo de perder o amor.
José também temia a raiva dos outros. Como seu pai costumava gritar com ele quando garoto, aprendeu a temer esses conflitos inflamados. Esse medo o impedia de dizer "não" aos outros. Sabemos que as pessoas egocêntricas, as autoritárias, as prepotentes, as vaidosas, entre outras, geralmente ficam iradas quando ouvem um "não".
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José dizia "sim" por medo de perder o amor e por medo de que os outros se zangassem com ele.
Nós, que aprendemos a elaborar nossas respostas com Amor-Exigente, sabemos que não podemos deixar o comportamento inadequado do outro influir negativamente na nossa forma consciente de agir.
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Vamos refletir sobre algumas falsas motivações que nos impedem de estabelecer limites e exercer nossa autoridade do modo e quando necessário:

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1. Medo de perder o amor, ou de ser abandonado: Quem diz "sim" e depois fica ressentido é porque sente medo de perder o amor de alguém. Essa é a principal motivação dos mártires. Dão para receber amor e, quando não o recebem, sentem-se frustrados e abandonados.
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2. Medo da raiva do outro: Por causa de antigas feridas e limites fracos, algumas pessoas não suportam que ninguém fique furioso com elas.
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3. Medo da solidão: Algumas pessoas cedem porque sentem que "ganharão" amor e acabarão com sua solidão.
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4. Medo de perder "o lado bom de mim": Fomos feitos para amar. Por isso, quando não estamos amando, sofremos. Muitas pessoas não conseguem dizer "Amo você, mas não quero fazer isso". Essa afirmação não faz sentido para elas, pois acreditam que amar significa sempre dizer sim.
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5. Culpa: O ato de dar, de muitas pessoas, é motivado pela culpa. Tentam praticar boas ações para superar a culpa que guardam e para sentir-se bem consigo mesmas. Quando dizem "não", sentem-se mal. Então ficam tentando compensar, obter perdão, merecer a bondade e a gratidão dos outros.
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6. Retribuição: Algumas pessoas ganham as coisas com bilhetes de culpa em anexo. Por exemplo, quando os pais dizem coisas como "-Nunca tive coisas tão boas quanto você tem", "-Você deveria ter vergonha de tudo o que tem". Essas pessoas se sentem obrigadas a pagar por tudo o que receberam.
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7. Aprovação: Muitos se sentem como se ainda fossem crianças à espera da aprovação dos pais. Portanto, quando alguém quer que façam algo, precisam atender para que esse pai simbólico fique "satisfeito".
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8. Excesso de identificação com a frustração dos outros. Pessoas que não resolvem todas as suas decepções e frustrações, sempre que precisam negar algo a alguém "sentem" a frustração do outro no grau máximo. Não conseguem suportar a ideia de magoar tanto alguém, então consentem.
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A questão é a seguinte: Fomos criados com liberdade e isso nos autoriza a sentir gratidão, afeto e amor pelos outros. Ser generoso é recompensador. É bem melhor dar do que receber. Se a sua doação não lhe traz alegria e conforto, então você precisa examinar a Lei da Motivação.
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Veja o que diz a Lei da Motivação:
Ter liberdade em primeiro lugar, servir em segundo. Se você serve para livrar-se do medo, está fadado ao fracasso, à frustração, ao estresse e à infelicidade.
Deixe que Deus cuide de seus medos, resolva-os e crie alguns limites saudáveis para preservar a liberdade que lhe foi concedida por Ele desde a criação da espécie humana.
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Fonte: APAEX- Associação Portoalegrense de Amor-Exigente.
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Retirado do Facebook de Jozelise Calgaro